Após ameaças de invasão e ‘fogo na prefeitura’, juiz proíbe manifestações em espaços públicos de Curitiba sob lockdown

Após ameaças de invasão e ‘fogo na prefeitura’, juiz proíbe manifestações em espaços públicos de Curitiba sob lockdown

Decisão foi assinada após a Procuradoria-Geral de Curitiba listar ameaças de invasão aos prédios da capital e risco de depredação em manifestações agendadas para este fim de semana

Paulo Roberto Netto e Fausto Macedo

14 de março de 2021 | 15h38

O juiz Rodrigo Yabagata Endo, do Foro Central de Curitiba, proibiu neste domingo, 14, a realização de manifestações em espaços públicos da capital paranaense enquanto durar o lockdown, decretado nesta sexta, 12, com duração prevista de nove dias.


Documento

O magistrado autorizou o emprego da força policial em caso de resistência ao cumprimento da decisão, fixando multa de R$ 1 mil a cada manifestante que desrespeitar a medida.

A decisão foi assinada após a Procuradoria-Geral de Curitiba listar ameaças de invasão aos prédios da capital e risco de depredação de espaços públicos em manifestações agendadas para este fim de semana. Uma das mensagens apresentadas dizia: ‘por mim colocava fogo na prefeitura e na sede do governo, só isso q tenho a dizer’ (sic).

Em outras conversas, eram discutidos pontos de encontro de manifestantes, como a casa do prefeito Rafael Greca (DEM). As convocatórias incluíam também a foto do presidente Jair Bolsonaro – crítico do lockdown e de medidas preventivas à covid – e pedidos por intervenção militar ‘com Bolsonaro no poder’.

“Gente eles vão continuar..penso q se formo pra frente de prefeitura e invadimos como em algumas cidades já fizeram poderemos ter algum resultado positivo pra nós. Itens esenciais é um absurdo. Se deixarmos cwb passará pelo que o rio grande do Sul está passando. Quem tem salário garantido,em boa parte de cwb, é funcionário público ou como já foi citado…professores q em boa parte estão a favor desses atos criminosos pq são esquerdistas. Temos como reverter..por aqui n da”, escreveu outro manifestante em um grupo de WhatsApp. O diálogo foi mantido como o original apresentado pela Procuradoria-Geral à Justiça.

Sede do Tribunal de Justiça do Paraná, em Curitiba. Foto: TJPR / Divulgação

Segundo o juiz Rodrigo Endo, as medidas restritivas adotadas pelo governo municipal são necessárias ao combate à pandemia e que o direito à manifestação não pode colocar em risco os demais direitos constitucionais, como o de acesso à saúde.

“A livre manifestação também pode ser exercida sem sair de residência, cumprindo o isolamento e o distanciamento social, como, por exemplo, por meio da internet e redes sociais, das janelas de cada residência, em homenagem aos profissionais de saúde, ou também como os ‘panelaços’ que representaram a concordância e a discordância de diferentes parcelas da sociedade em relação a temas políticos”, apontou.

O lockdown foi decretado por Greca na noite de anteontem e deverá valer até o próximo domingo, 21. O anúncio foi feito pelas redes sociais em vídeo gravado pelo prefeito. Ele explicou que supermercados, postos de gasolina, farmácias e outros serviços essenciais continuarão funcionando.

Obras públicas, indústria, comércio e serviços não essenciais, porém, devem parar. “É um esforço imenso para evitar a transmissão. Pela primeira vez teremos lockdown”, afirmou o prefeito.

O Estadão mostrou que o Paraná tinha uma das situações mais críticas do País em relação à ocupação do seu sistema de saúde. No início desta semana, o Estado possuía a maior fila de pacientes aguardando transferência, com 1.071 pessoas, 519 delas na espera por um leito de UTI.

Estudo divulgado nesta semana prevê que Curitiba vai enfrentar uma nova onda da pandemia com um pico de mortes até quatro vezes maior que os registrados em 2020. As análises da evolução temporal das curvas epidemiológicas de casos expostos, infectados e recuperados apontam crescimento acelerado de mortes previstas para o fim de março e início de abril, com uma média diária entre 80 e 90 óbitos, podendo chegar a 100 mortes por dia.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.