Apontado em relatório do Coaf, pai do governador do Acre diz que patrimônio ‘é fruto de décadas de trabalho’

Apontado em relatório do Coaf, pai do governador do Acre diz que patrimônio ‘é fruto de décadas de trabalho’

Eládio Cameli também nega movimentação de R$ 420 milhões em conta bancária; família é investigada na Operação Ptolomeu

Rayssa Motta

05 de janeiro de 2022 | 15h21

Investigado na Operação Ptolomeu. o empresário Eládio Cameli, pai do governado do Acre, Gladson Cameli (PP), se manifestou pela primeira nesta quarta-feira, 5, sobre as suspeitas levantadas pela Polícia Federal. Em nota, ele negou irregularidades e disse que ‘todo seu patrimônio é fruto de décadas de trabalho’. Também afirma que tem como ‘comprovar a origem lícita’ de seus bens e recursos.

O patriarca foi arrastado para o inquérito depois que um relatório produzido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou que, entre janeiro e agosto de 2019, período que coincide com os primeiros meses de mandato de Gladson, ele movimentou R$ 420,4 milhões em uma conta corrente na Caixa Econômica. Eládio nega a movimentação.

“Ele confia na Justiça brasileira e espera que, ao final da investigação, seja verificada sua total isenção com relação a qualquer fato tratado na investigação”, diz o texto.

Pai do governador, Eládio Cameli, entrega a faixa ao filho, na solenidade de posse em 1º de janeiro de 2019; os dois são investigados pela PF. Foto: Odair Leal/Secom Governo do Acre

A família é investigada desde julho pela PF, que vê indícios de um suposto esquema de propinas em troca do direcionamento de licitações, contratações superfaturadas e a confirmação de recebimento de mercadorias não entregues e de serviços não prestados na área da Saúde e em obras públicas. Eládio afirma ainda que ‘ele e as empresas das quais é sócio não participaram de processos licitatórios ou de contratações diretas com o governo do Acre na atual gestão’.

Gladson também nega irregularidades. Em nota, os advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, que defendem o governador, dizem que a investigação é um ‘emaranhado de assuntos desconexos’.

“Apenas suspeitas são lançadas, nenhuma imputação de crime é realizada. São apenas ilações desconexas”, afirmam. “Todas as suas movimentações financeiras são lícitas e o seu patrimônio tem origem conhecida, seja no âmbito privado, seja na renda auferida em razão das funções públicas ocupadas.”

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.