‘Apenas conheço’, declarou Cunha sobre Funaro à CVM

‘Apenas conheço’, declarou Cunha sobre Funaro à CVM

Em 2013, ex-presidente da Câmara respondeu 37 perguntas da Comissão de Valores Mobiliários, que o questionou, entre outros aspectos, sua relação com o empresário suspeito de ser seus operador de propinas

Julia Affonso e Mateus Coutinho

13 de setembro de 2016 | 06h25

Da esquerda para a direita: Lúcio Funaro e Eduardo Cunha. Foto: Estadão

Da esquerda para a direita: Lúcio Funaro e Eduardo Cunha. Foto: Estadão

O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi questionado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em 2013, sobre suas relações com o empresário Lúcio Bolonha Funaro – preso há mais de dois meses na Operação Sépsis, desdobramento da Lava Jato.

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Em 22 de novembro daquele ano, a CVM mandou um ofício a Eduardo Cunha, na Câmara dos Deputados, com 37 perguntas. A pergunta número 9 era ‘Qual o grau de relacionamento e contato de V. Exa. com Lucio Bolonha Funaro?’. O peemedebista declarou. “Apenas conheço.”

Funaro é apontado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, nas investigações da Operação Lava Jato, como operador de propinas de Eduardo Cunha. Funaro foi preso em 1.º de julho na Sépsis, por ordem do Supremo Tribunal Federal.

Sépsis foi deflagrada com base na delação premiada do ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal Fábio Cleto. Ele revelou detalhes da parceria de Eduardo Cunha e Funaro em operações do FI-FGTS entre 2011 e 2015.

O delator contou que semanalmente reunia-se com Eduardo Cunha, inclusive na residência oficial da Presidência da Câmara. Nesses encontros, Cleto submetia ao peemedebista projetos de empresas que pediam financiamento do FI-FGTS. Cunha, segundo o delator, decidia quais operações deveriam ser autorizadas pelo colegiado do FI-FGTS.

Ainda segundo Fábio Cleto, o ‘operador’ Funaro se encarregava de procurar as empresas.

O documento da CVM, assinado em 2013 pelo então Superintendente de Processos Sancionadores, Carlos Guilherme de Paula Aguiar, solicitou ao então deputado para ‘designar dia, hora e local para a realização de vossa oitiva pessoal, observando-se, assim, todas as prerrogativas inerentes ao relevante cargo público ocupado por V.Exa’.

As 37 perguntas da Comissão a Cunha abrangiam sua atuação ‘nos mercados futuros de dólar americano e Índice Bovespa Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), no período de abril de 2004 a setembro de 2005’.

A indagação 28 também envolvia o suposto operador de propinas de Eduardo Cunha. “Lucio Bolonha Funaro tinha autorização para transmitir ordens em nome de V. Exa à Laeta e à Cruzeiro do Sul CM?”

O peemedebista respondeu em 8 de janeiro de 2014. “Nunca teve qualquer procuração pública minha, ou qualquer tipo de instrumento, como é natural para se praticar esse tipo de ato.”

A Comissão de Valores Mobiliários também quis saber naquele ano qual era ‘o grau de relacionamento’ de Eduardo Cunha ‘com pessoas que trabalhavam no Postalis -Instituto de Seguridade Social dos Correios e Telégrafos, em especial com Helio Afonso Pereira e Adilson Florêncio da Costa’.

Eduardo Cunha retornou. “Nenhum.”

Adilson Florêncio da Costa foi denunciado em julho deste ano pela Operação Recomeço. Segundo a acusação, ele e 15 investigados se envolveram em um esquema que causou prejuízo de R$ 90 milhões aos fundos Postalis e Petros, que deveriam ser usados na recuperação da Universidade Gama Filho. Adilson Florênio foi denunciado na Lei do Colarinho Branco por gestão fraudulenta de instituição financeira.

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