‘A Lava Jato é uma história de persistência’, diz Moro

‘A Lava Jato é uma história de persistência’, diz Moro

Durante evento promovido pela Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, em Salvador, juiz federal relata que a grande operação que pegou esquema de cartel e propinas na Petrobrás é resultado da 'persistência' de delegados, procuradores e da Justiça no âmbito de outro escândalo, este dos anos 1990, o caso Banestado

Fabio Serapião/ENVIADO ESPECIAL A SALVADOR

23 de agosto de 2018 | 10h20

Sérgio Moro. Foto: Reprodução/ADPF

O juiz Sérgio Moro disse nesta quinta-feira, 23, que a Lava Jato ‘é uma história de persistência’ e que ela contém uma lição. “Sempre persistir, nunca desistir.”

Durante evento promovido pela Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, realizado em Salvador, Moro lembrou de um outro escândalo, o caso Banestado, dos anos 1990, que desvendou forte esquema de remessas ilícitas de valores para paraísos fiscais. Naquele caso, os investigadores não avançaram muito, praticamente tiveram que se limitar ao cerco a doleiros, segundo Moro, um dos motivos foi a precária cooperação jurídica internacional e também por falta de apoio institucional.

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Mas o juiz não avalia que a operação Banestado foi um fracasso.

“A Lava Jato, uma história de grande corrupção, é uma história de persistência. Porque várias das pessoas envolvidas também estiveram juntas na investigação do caso Banestado. Houve uma persistência de algumas pessoas em relação àquela investigação. Hoje ouço que o caso Banestado fracassou, que se protegeram políticos e casos de corrupção. Nada mais falso. Não se pode dizer que foi um insucesso, foi o sucesso possível para a época.”

“O caso Banestado envolvia megaesquema de remessa fraudulenta de dinheiro ao exterior”, seguiu o juiz. “Mas é forçoso reconhecer que houve limites que não foram transpostos. Não se teve o mesmo apoio institucional que se teve agora na Lava Jato. Naquele caso o limite foi chegar aos doleiros, mas não foi possível avançar muito em relação aos beneficiários daqueles valores remetidos ilegalmente ao exterior. E também houve dificuldade na cooperação internacional.”

O êxito da Lava Jato, no entendimento de Moro, contém ‘uma espécie de lição’. “Sempre persistir, nunca desistir.”

Ele citou que já foram julgados 43 processos em sua instância, em Curitiba, na Lava Jato. Estão em curso mais 78 ações penais.

Sobre o tamanho do rombo descoberto pela Lava Jato, Moro disse que é difícil mensurar. “(A corrupção) é um crime que ocorre sob as sombras.”

O juiz lembrou que a Lava Jato descobriu o loteamento político na Petrobrás. “Isso aconteceu durante anos, dezenas, centenas de vezes nos contratos da nossa principal estatal. Sempre tivemos a suspeita de que esse loteamento era utlizado para algo mais que a barganha política e o caso Lava Jato revela esse loteamento no seu aspecto mais perverso, a corrupção pura e simples, grande, sistmática e profunda. A corrupção como a regra do jogo.”

Sem citar nomes, Moro fez referência ao ex-gerente de Serviços da Petrobrás, Pedro Barusco, que devolveu US$ 98 milhões, que havia recebido em propinas.

Destacou que, em 2015, a Petrobrás revelou em seu balanço rombo de R$ 6 bilhões em propinas.

“Os custos dessa corrupção sistêmica foram extraordinários.”

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