Por onze votos a nove, Conselho de Ética aprova relatório por cassação de Eduardo Cunha

Por onze votos a nove, Conselho de Ética aprova relatório por cassação de Eduardo Cunha

futuro de peemedebista será decidido pelo Plenário da Câmara, mas ele ainda pode recorrer à Comissão de Constituição e Justiça

Redação

14 de junho de 2016 | 18h44

 Deputado Julio Delgado (PSB MG) vibra com o anuncio do voto da deputada Tia Eron (PRB BA), pela cassação do deputado Eduardo Cunha no conselho de Etica da camara. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADAO

Deputado Julio Delgado (PSB MG) vibra com o anuncio do voto da deputada Tia Eron (PRB BA), pela cassação do deputado Eduardo Cunha no conselho de Etica da camara. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADAO

Por onze votos a nove, o Conselho de Ética e Decoro aprovou na tarde desta terça-feira, 14, o relatório que pede a cassação de Eduardo Cunha (PMDB/RJ). O futuro do presidente afastado da Câmara será agora decidido pelo Plenário da Casa. Mas Cunha ainda tem um fiapo de esperança. Ele pode recorrer à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. O processo se arrasta há oito meses.

A sessão foi carregada de forte tensão no Conselho de Ética. O relatório pela cassação indica que Cunha mentiu a seus pares ao negar a titularidade de conta secreta no exterior. O presidente afastado da Câmara, denunciado criminalmente três vezes pela Procuradoria-Geral da República, acreditava em seu poder de fogo e alianças para se safar de um revés no Conselho, mas o resultado da votação o frustrou.

O advogado do peemedebista, Marcelo Nobre, insistiu por derradeiro na tese que vem pregando desde o início do julgamento. “Não me venha com pirotecnia. Eu desafio alguém a mostrar, eu não preciso de 90 páginas, preciso de uma linha com o número da conta do meu cliente e o nome do banco e o nome do meu cliente.”

O apelo de Nobre por Eduardo Cunha não adiantou. Foram onze votos pela aprovação do relatório do deputado Marcos Rogério, o relator no Conselho de Ética.

Entre os onze votos um surpreendeu todo mundo – Vladimir Costa (PP), que desde sempre se dizia e se comportava como fiel escudeiro de Cunha acabou votando contra ele.

Tia Eron também votou contra a permanência de Cunha na Casa. Foi dela o voto mais aguardado. Nas últimas semanas criou-se um suspense extraordinário sobre o lado que ela iria escolher.

COM A PALAVRA, EDUARDO CUNHA

NOTA À IMPRENSA

Com relação à aprovação do parecer do Conselho de Ética, tenho a declarar:

1 – Após inúmeras manobras de adiamento, o Presidente do Conselho de Ética finalmente submeteu o processo à votação;

2 – O processo foi todo conduzido com parcialidade, com nulidades gritantes, incluindo o próprio relator, que não poderia ter proferido parecer após ter se filiados a partido integrante de bloco do meu partido. Essas nulidades serão todas objeto de recurso com efeito suspensivo à CCJ, onde, tenho absoluta confiança, esse parecer não será levado adiante;

3 – Também confio que, em plenário, terei a oportunidade de me defender e de reverter essa decisão.

Repito: sou inocente da acusação, a mim imputada pelo parecer do Conselho de Ética, de mentir à uma CPI.

EDUARDO CUNHA

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