Ao STJ, defesa de Palocci rechaça destruição de prova e pede liberdade

Ao STJ, defesa de Palocci rechaça destruição de prova e pede liberdade

Advogados do ex-ministro dos governos Lula e Dilma negam que computadores tenham sido retirados da Projeto, empresa de consultoria do petista, e diz que funcionários ‘se utilizavam de laptops’

Julia Affonso e Fausto Macedo

04 de novembro de 2016 | 05h00

Antonio Palocci. Foto: Werther Santana/Estadão

Antonio Palocci. Foto: Werther Santana/Estadão

A defesa do ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda/Casa Civil – Governos Lula e Dilma) rechaçou em pedido de liminar em habeas corpus ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) que tenha havido destruição de provas no escritório da Projeto Consultoria, empresa do petista alvo da Operação Omertà. Em documento de 97 páginas, os advogados pedem a liberdade de Palocci, preso desde 26 de setembro na 35ª fase da Lava Jato.

Documento

Nesta quinta-feira, 3, o juiz federal Sérgio Moro colocou o ex-ministro no banco dos réus por corrupção e lavagem de dinheiro. Também são acusados outros 14 investigados, entre eles, Branislav Kontic, ex-assessor de Palocci, e o empreiteiro Marcelo Odebrecht.

A Polícia Federal, ao pedir a conversão da prisão temporária de Palocci para preventiva, alegou que o ex-ministro teria orientado a destruição de provas em sua empresa de consultoria Projeto antes da deflagração da Omertà. Durante as buscas na 35ª fase da Lava Jato, na sede da Projeto, a Federal encontrou estações de trabalho com teclados, mouses e monitores, mas nenhum gabinete de computador (ou desktop).

O pedido de habeas corpus é subscrito pelos advogados José Roberto Batochio, Guilherme Octávio Batochio, Ricardo Toledo Santos Filho e Leonardo Vinícius Battochio. Segundo a defesa de Palocci, ‘os economistas da Projeto Consultoria Ltda. se utilizavam de laptops que se conectavam aos monitores localizados nas estações de trabalho que ocupavam’.

“Economistas e profissionais do setor e do mercado financeiro trabalham com mais de um monitor (às vezes até três telas) para que possam consultar – e cotejar gráficos -, planilhas, agências de informação online e em tempo real (ademais, como se poderia haver alterado qualquer prova ou adminículo se a ação policial era secretíssima e dela só se conheceu quando da prisão do Paciente ao alvorecer?)”, questionam os criminalistas.

“Os profissionais economistas que trabalhavam na Projeto Ltda. portavam seus laptops e, quando necessário, os conectavam ao teclado, ao mouse e ao monitor que ficavam na estação de trabalho na sede empresa, e, por óbvio, quando executavam trabalhos externos os levavam consigo. Daí a ausência material desse equipamento ser interpretada por parte dos investigadores, pelo critério suspicaz de sempre, como ocorrência de “destruição de provas” não tem a mínima razoabilidade.”

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