‘Antes do dinheiro chegar, ele já ia buscar’, diz delator sobre ex-tesoureiro de Lula

‘Antes do dinheiro chegar, ele já ia buscar’, diz delator sobre ex-tesoureiro de Lula

Hilberto Mascarenhas, da Odebrecht, cita José de Filippi e diz que campanha presidencial do petista, em 2006, foi ‘uma loucura’

Julia Affonso, Luiz Vassallo, Breno Pires e Fábio Serapião

15 de abril de 2017 | 06h00

Hilberto Mascarenhas. Foto: Reprodução

Hilberto Mascarenhas. Foto: Reprodução

Um trecho da delação premiada do executivo Hilberto Mascarenhas, da Odebrecht, aponta para o ex-tesoureiro da campanha de Lula à Presidência em 2006. Segundo o delator, a corrida eleitoral foi ‘uma loucura’ e José de Filippi estava ‘ávido pelo dinheiro’. “Antes do dinheiro chegar, ele já ia buscar.”

Cabia a Fillipi arrecadar doações para a campanha de Lula. Naquele ano, o petista concorreu à reeleição e levou a Presidência em 2º turno com 46,6 milhões de votos, superando.Geraldo Alckmin (PSDB).

Hilberto era o chefe do Setor de Operações Estruturadas, o Departamento de Propinas da Odebrecht. Segundo o delator, naquele ano, a área da propina ‘ainda não estava estruturada’ na empreiteira e o Sistema Drousys, a rede de comunicação interna, uma espécie de intranet, dos funcionários deste departamento, ‘não estava funcionando’.

“Foi uma loucura de trabalho para controlar isso tudo”, relatou ao Ministério Público Federal.

“Outubro, né? Foi logo depois que eu entrei . Foi uma loucura. Você tinha eleição para presidente, senador, deputado federal, deputado estadual, governador. Então, era uma loucura. A área não tinha nem experiência, nem estrutura. O caixa era controlado pelo Money. Vocês já ouviram falar do Money? Microsoft.”

Hilberto citou ainda o My Web Day, o ‘manual da propina’ da Odebrecht. Por meio deste software desenvolvido pela empreiteira, era possível gerenciar a contabilidade paralela. O My Web Day permitia identificar os tipos de contrato, natureza do serviço, período de vigência, além de outros caminhos.

“Não tinha o My Web implantado. Era uma loucura, era uma loucura”, disse.

O Ministério Público Federal questionou se Hilberto lembrava ‘de quem tratava dessas situações com o sr Benedicto, algum tesoureiro’.

“Eram todos tesoureiros deles, o Fillipi, era o de Lula, né? José Filippi”, afirmou.

A Procuradoria da República perguntou ainda como era feito os repasses de dinheiro para as campanhas.

“É, naquela época, no início, ainda estava definindo lugar para ele buscar. Nesse assunto não tinha preocupação de ele não ir buscar. Ele ia buscar antes do dinheiro estar lá. O cara estava tão ávido pelo dinheiro que antes de o dinheiro chegar, ele já ia buscar. Ele ficava na porta do local, esperando autorização para entrar, para pegar o dinheiro”, revelou.

COM A PALAVRA, JOSÉ DE FILIPPI

Com relação ao conteúdo que necessita de comprovação das delações dos senhores Hilberto Mascarenhas e José Eduardo da Rocha Soares informo que:

1) Em 2006 me reuni duas vezes com os senhores Pedro Novis e Benedito Jr., indicados pela Odebrecht, para dialogar sobre doações oficiais à campanha presidencial. Não estive mais na empresa e toda comunicação foi feita por e-mail;

2) Todos os recursos doados foram via TED e declarados à Justiça Eleitoral, que aprovou as contas;

3) Desafio o senhor Hilberto Mascarenhas, com quem nunca conversei ou mesmo conheci, a provar o que ele fala. Nunca me comportei como um mascateiro cobrando repasses junto a quem quer que seja;

4) Sobre o episódio conhecido como Aloprados, não tenho qualquer envolvimento. Nem em seu início e muito menos nos seus desdobramentos. Tenho minha consciência tranquila.

Att

José de Filippi Jr.
Ex-coordenador financeiro das campanhas presidenciais de 2006 e 2010

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