Antes de rompimento, PCC tentou “intermediar a paz” entre facções do Rio de Janeiro

Antes de rompimento, PCC tentou “intermediar a paz” entre facções do Rio de Janeiro

Em 2012, denúncia do Ministério Público de São Paulo contra 175 integrantes da facção paulista revelava tentativa de conversa com facções cariocas. Atualmente, PCC é aliado da ADA(Amigos dos Amigos) e rival do Comando Vermelho

Fabio Serapião e Fausto Macedo

06 de janeiro de 2017 | 05h59

Uma denúncia do Ministério Público de São Paulo, de 2012, revela as tratativas entre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) para tentar “intermediar a paz, a fim de fortalecer o crime” entre as facções cariocas Comando Vermelho (CV) e Amigos dos Amigos ADA). A tentativa foi entre os anos de 2010 e 2011. Atualmente, a facção paulista se aliou à ADA e está em disputa com o CV. A guerra entre as facções é apontada como um dos principais motivos para a morte dos 56 detentos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, o Compaj, em Manaus. A Família do Norte, do Amazonas, é aliado ao CV.

Durante a investigação do MP paulista, os investigadores interceptaram uma conversa entre duas lideranças do PCC – Roberto Soriano e Abel Pacheco Andrade. Na conversa, Soriano pergunta se o traficante conversou com “os caras do CV”. Pacheco diz que não, mas que mandou outro integrante da facção falar com as lideranças da facção carioca. Segundo Soriano, o recado a ser dado é que o PCC não teria “inimizades com vocês(CV), nem com o Terceiro (Comando), nem com o ADA. É guerra de vocês, se vocês quiserem intermediar uma paz estamos aí, porque o crime fortalece o crime, mas estamos com as cadeias de portas abertas pra vocês, a situação de negócios”.

Em outra conversa, Soriano fala com Daniel Vinicius Canônico, outra liderança do PCC, sobre a relação entre os criminosos paulistas e cariocas. Segundo o traficante, o PCC nunca foi inimigo da ADA e “tinham uma ligação com o Vermelho (Comando Vermelho)”, mas que foi quebrada “em cima da arrogância dos caras”. Entretanto, Soriano sugere na conversa que “o intuito de tudo é estarem se unindo, se fortalecendo e um ajudar o outro”. “Nós também temos 65 favelas aqui (São Paulo), se precisarem passar uma temporada, vai ser bem recebido e a gente está aí não pra dividir o crime e sim para tentar unir e se fortalecer cada vez mais, porque imagina eles (ADA) com um braço em São Paulo, eles (PCC) com um braço no Rio”.

PCC - ADA
Desde 2012, a relação entre o PCC e CV foi encerrada e a facção paulista se aliou à ADA no comando do tráfico na favela da Rocinha. Nas conversas interceptadas na investigação do MP-SP, os promotores já haviam flagrados negociações entre as lideranças do PCC e Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, principal liderança da ADA.

No dia 24 de setembro de 2010, em uma conferência por telefone, pelo PCC falam Soriano e Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, com Nem da Rocinha. Após ser chamado por um interlocutor, o traficante carioca entra na conversa: “pode falar, que é eu que estou falando”. Soriano conta que até 2005, o PCC manteve uma aliança com o Comando vermelho e “por causa de uma divergência de ideias aí entres os integrantes daí com os daqui e tiveram que quebrar a corrente.”

Por sua vez, Gegê do Mangue pergunta a Nem como está a situação com o CV. Nem fala que não tem problema nenhum com eles e que “de vez em quando fala com eles”.  Por fim, os traficante paulistas informam Nem que irão mandar um “irmão” de confiança para ir até o Rio de Janeiro “trocar umas ideias”. Para os investigadores, esse foi o início da relação entre o PCC e ADA que resultou na divisão do comando do tráfico de drogas na favela da Rocinha

Tudo o que sabemos sobre:

PCCFDNADA

Tendências: