Antes de Queiroz, ex-chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro comandou ‘rachadinhas’, diz Ministério Público

Antes de Queiroz, ex-chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro comandou ‘rachadinhas’, diz Ministério Público

Promotoria afirma em relatório que Mariana Lúcia da Silva Ramos recebeu R$ 39,4 mil em repasses de assessor do deputado estadual entre janeiro de 2007 a março de 2008; após sua saída, o dinheiro passou a ser direcionado à conta de Fabrício Queiroz

Paulo Roberto Netto e Fausto Macedo

18 de dezembro de 2019 | 21h45

Atualizada em 19.12 às 11h21 com posicionamento da defesa de Fabrício Queiroz*

A ex-assessora parlamentar de Flávio Bolsonaro Mariana Lúcia da Silva Ramos Mota teria participado e comandado esquema de rachadinha dentro do gabinete do então deputado estadual antes mesmo de Fabrício Queiroz assumir a função, em 2008.

Segundo relatório do Ministério Público apresentado à Justiça, Mariana Lúcia teria recebido R$ 39,4 mil de um ex-servidor de Flávio Bolsonaro como parte do esquema de ‘rachadinha’. Mariana Lúcia Mota foi chefe de gabinete do deputado estadual até dezembro de 2007, quando foi substituída por Miguel Ângelo Braga Grillo e transferida para a Comissão de Defesa Civil da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde ficou lotada até dezembro de 2008.

O ex-assessor parlamentar de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz. Foto: Reprodução

Quebra de sigilo bancário e fiscal aponta que a ex-chefe de gabinete recebeu R$ 39,4 mil entre janeiro de 2007 e março de 2008 por meio de 15 transferências bancárias feitas pelo ex-assessor Jorge Luis de Souza. O valor corresponderia a 45% do salário do servidor. Quando Mariana Lúcia deixou o cargo, os repasses passaram a ser destinados à conta de Fabrício Queiroz.

“Aponta-se, deste modo, que Mariana Lúcia exerceu a função de arrecadação dos valores repassados por assessores, à época em que ocupava a Chefia do Gabinete do Deputado Flávio Bolsonaro, antes da referida função ser assumida por Fabrício Queiroz”, pontua o MP.

De acordo com a promotoria, a própria Mariana Lúcia também participava do esquema de ‘rachadinha’ por ter sacado, durante seu período no gabinete de Flávio Bolsonaro, cerca de 40% do seu próprio salário. O valor chega a R$ 134 mil.

Outro ponto destacado pelo Ministério Público é o fato da filha de Mariana Lúcia, Catarina Ramos Mota, ter sido nomeada assessora no gabinete do deputado estadual e ter participação societária na empresa Siscomp Sistema de Telefonia Computadorizada, de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-madrasta de Flávio e ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro.

A filha dela, Catarina Ramos Mota, também foi nomeada assessora no gabinete de Flávio Bolsonaro e tinha participação societária na empresa SISCOMP SISTEMA DE TELEFONIA COMPUTADORIZADA de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-madrasta de Flávio e ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro.

COM A PALAVRA, MARIANA LÚCIA DA SILVA RAMOS

“A defesa alega que não são verdadeiros o relatório do MPRJ,  porém o feito segue em segredo de justiça e a defesa se manifestará melhor nos autos, informa ainda que esta contribuindo com a Justiça”.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE FABRÍCIO QUEIROZ
“A defesa técnica de Fabrício Queiroz destaca inicialmente que curiosamente o ex-deputado estadual e atual senador Flávio Bolsonaro não foi objeto de pedido de busca e apreensão, nada abstante todos os demais alvos da medida estejam a ele relacionados, o que, ao que parece, foi uma manobra para fugir da discussão quanto ao foro por prerrogativa de função uma vez que o próprio MP reconheceu que o Juízo da 27 Vara criminal seria incompetente. Mais uma vez valores milionários vem sendo apresentados de forma distorcida, para que a opinião pública veja ilegalidades onde nao há. Se contextualizarmos os fatos, os referidos valores foram recebidos ao longo de 10 anos, repita -se, 10 anos, sendo que na sua quase totalidade fruto dos rendimentos da própria família que, como dito, centralizavam seus pagamentos na conta do sr Fabrício. No mais, embora se insistiam em criar escândalos, como já devidamente esclarecido, o Sr Fabrício Queiroz recebia parte dos salários de alguns assessores para aumentar a base de atuação do deputado, ou seja, com a mesma finalidade pública dos recursos, não constituindo qualquer ilegalidade. Por fim, o senhor Fabrício Queiroz e sua família aguardam com serenidade a oportunidade de apresentarem sua defesa em juízo, ocasião que certamente os fatos serão analisados por um juiz imparcial e justo que reconhecerá que não houver qualquer crime praticado.”

COM A PALAVRA, O SENADOR FLÁVIO BOLSONARO
A reportagem entrou em contato com o gabinete e com a defesa do senador Flávio Bolsonaro e aguarda resposta. O espaço está aberto a manifestações (paulo.netto@estadao.com e fausto.macedo@estadao.com)

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