Antecessor de Marcelo Odebrecht confirma caixa 2 a Lula em 2002 e 2006

Antecessor de Marcelo Odebrecht confirma caixa 2 a Lula em 2002 e 2006

Pedro Novis, ex-diretor-presidente do grupo até 2008, afirmou que Emílio Odebrecht e Lula acertaram contribuições e Palocci acertou detalhes, que incluíram repasses no Brasil e no exterior

Fausto Macedo, Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fábio Leite

22 de abril de 2017 | 05h00

O expresidente Lula / AFP PHOTO / NELSON ALMEIDA

O expresidente Lula / AFP PHOTO / NELSON ALMEIDA

O antecessor de Marcelo Odebrecht no comando do grupo, Pedro Augusto Ribeiro Novis, ex-diretor-presidente da holding, confirmou em sua delação premiada com a Operação Lava Jato, que acertou com o ex-ministro Antonio Palocci dinheiro de caixa 2 para as campanhas presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva de 2002 e de 2006, quando foi reeleito.

O dinheiro foi pago em dinheiro vivo no Brasil e também por “meio de depósitos no exterior”.

“Em ambas as campanhas, na condição de diretor-presidente da Odebrecht S.A. e por pedido do ex-presidente Lula a doutor Emílio Odebrecht, tratei das contribuições com Antonio Palocci, que, por sua vez, havia sido indicado para tratar do assunto pelo então candidato Luiz Inácio Lula da Silva.

pedro novis pt 2002 e 2006

O delator afirmou que se encontrou com Palocci na Odebrecht e nos hotéis Golden Tulip, da Alameda Santos, e no Sofitel, da Sena Madureira, ambos em São Paulo.

Palocci é réu em duas ações penais abertas pelo juiz federal Sérgio Moro. Nesta quinta-feira, 20, interrogado pela pela primeira vez nos processos da Lava Jato, em Curitiba, ele negou ter acertado pagamentos no exterior para as campanhas presidenciais do PT, mas admitiu que a prática de caixa 2 existe em todas as campanhas.

“Havia uma contrapartida nessa doação?”, perguntoi o procurador da República a Novis.

“Havia doutor, não um condicionamento, não lhe pagarei se você não assumir, mas havia um compromisso de apoio efetivo, coisa que eu sei também que foi tratada pelo doutor Emílio com o candidato Lula.”

O delator disse que os pagamentos, sejam oficiais ou não, eram feitos não por uma questão ideológica, mas sim na expectativa de se obter benefícios do governo.

 

Desde aquela época, afirmou o delator, que o contato indicado por Lula era Palocci. “Tratei com o ministro Palocci naquele momento dos programas iniciais, da forma de pagamentos e encaminhamentos desse assunto. Ele indicou o Delúbio Soares (ex-tesoureiro do PT) como a pessoa para cuidar do recebimentos”, detalhou.

Primeira eleição. Novis foi questionado qual o montante pago na campanha de 2002, quando Lula foi eleito pela primeira vez. “Não consigo precisar, mas estiam que seja algo em torno de R$ 20 milhões da época.”

Em documento entregue à Procuradoria Geral da República (PGR), ele afirmou que em valores atuais o total seria equivalente a R$ 115 milhões.

pedro novis pt 2002

Segundo ele, a “grande maioria” foi pago parcelado e em caixa 2. “2002, são 14 anos atrás. Conseguimos identificar R$ 50 mil em doação oficial da construtora para a campanha de 2002 do presidente.”

Duda Mendonça. O delator falou que parte desses pagamentos foi para o publicitário Duda Mendonça – marqueteiro da primeira campanha de Lula, trocado depois do escândalo do mensalão, em que descobriu-se pagamentos ilegais para ele.

“Uma parte desses recursos foi encaminha ao Duda, eles no procurou, por ordem da ação de Palocci”, afirmou o delator. “Certamente em conta no exterior, isso eu me lembro. Ele que pediu.”

 

pedro novis pt 2006

Reeleição. Novis afirmou que, na campanha de 2006 de reeleição, houve novamente acerto de pagamentos de caixa 2, na expectativa de contrapartidas. Palocci continuou a ser seu interlocutor, mudando apenas o responsável por operador os recebidos, segundo ele.

“O valor negociado para pagamentos a título de contribuição à campanha de reeleição do presidente Lula também foi em torno de R$ 20 milhões, em valores históricos ou cerca de R$ 60 milhões”, registrou o delator.

“Embora as doações tenham sido solicitadas por Antonio Palocci e discutidas comigo, os pagamentos no Brasil foram coordenados por José Di Fillipe Júnior, tesoureiro da campanha do presidente Lula.”

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