Aniversário do retorno de Hong Kong à China e a violação de direitos da população

Aniversário do retorno de Hong Kong à China e a violação de direitos da população

Jorge Santos*

01 de julho de 2021 | 09h30

Jorge Santos. Foto: Divulgação

O dia 1º de julho marca a data do retorno de Hong Kong à China. Hoje, faz 24 anos que Hong Kong deixou de ser colônia do Reino Unido, no entanto, não há nada a ser celebrado, pois a população vem sofrendo restrições de seus direitos e violações dos direitos humanos. Isso tem acontecido porque, há um ano, foi imposta, por Pequim, a Lei de Segurança Nacional, que tem por objetivo combater a oposição.

No início do mês de junho, a organização não governamental Anistia Internacional (AI) classificou o tratamento dado à minoria muçulmana da China, denominada uigur, como um crime contra a humanidade. O relatório produzido pela ONG relata as medidas extremas tomadas pela China para apagar a identidade religiosa e cultural dos uigures. Além disso, as pessoas detidas alegaram torturas, maus-tratos, espancamentos, privação de sono e alimentação.

Além disso, o povo sofre com a falta de liberdade de imprensa no país. Na última semana, um dos jornais mais relevantes pró-democracia da China fechou as portas, devido à pressão pela nova lei de segurança nacional imposta a Hong Kong.

Esses atos violam o acordo realizado para a devolução de Hong Kong à China, em 1997. O acordo prevê autonomia política e jurídica ao território pelo período de 50 anos.

Por isso, nós chamamos a atenção do Brasil para as violações de direitos humanos e liberdades que a China tem feito em Hong Kong e na parte continental. É preciso iniciar o diálogo com a China, e mostrar que, apesar de lá terem silenciado milhares de pessoas, aqui no Brasil as pessoas têm voz no aniversário de Hong Kong.

A democracia, as liberdades de imprensa e religiosa são direitos fundamentais que, constantemente, têm sido violados. Diversos países no mundo têm aplicado sanções ao partido comunista chinês por isso.

É necessário promover o debate e incentivar que o Brasil se manifeste sobre todas as violações aos direitos da população chinesa que são pouco abordados no país e busque a melhor forma de abordar as políticas autoritárias da China.

Como as manifestações na China são proibidas e os jornais silenciados, o Movimento Democracia Sem Fronteiras promove, nesta quinta-feira (1), manifestação em frente à residência oficial do embaixador da China, em Brasília. Os integrantes do movimento contestarão as violações de direitos humanos e de liberdades pelo governo chinês.
O Democracia Sem Fronteiras surgiu em 2019 como movimento de defesa e fortalecimento do direito à democracia no mundo. Desde então, o grupo, desvinculado de partidos políticos, chama a atenção do Brasil para as violações de direitos humanos e de liberdades, como de religião e de imprensa, que a China tem realizado em Hong Kong e na parte continental.

*Jorge Santos é presidente do movimento Democracia Sem Fronteiras

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