Anexo 28: A bancada do PMDB no Senado e o ‘abraço’ a Paulo Roberto Costa na Petrobrás

Anexo 28: A bancada do PMDB no Senado e o ‘abraço’ a Paulo Roberto Costa na Petrobrás

Delcídio Amaral, em sua delação bomba, dedica-se à bancada peemedebista no Senado que, segundo ele, garantiu o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás no cargo

Mateus Coutinho, Julia Affonso e Ricardo Brandt

15 de março de 2016 | 18h26

anexo28pmdb

O delator bomba da Lava Jato, senador Delcídio Amaral (afastado do PT/MS), disse que a bancada do PMDB no Senado ‘tem um arco de influência amplo em vários setores do governo’. Está registrado no Anexo 28 da delação premiada do ex-líder do Governo no Senado.

“Renan Calheiros, Eunício Oliveira, Jorge Luz, Edson Lobão, Jáder Barbalho, Romero Jucá, Milton Lyra, Silas Rondeau têm um arco de influência amplo, em vários setores do governo. A bancada do PMDB no Senado é protagonista, especialmente, no Ministério de Minas e Energia. Tem representantes na Eltrosul, Eletronorte e, mais recentemente, nas diretorias de Abastecimento e Internacional da Petrobrás, além da Eletronuclear. Entre os senadores, destacam-se Renan Calheiros, Edson Lobão, Jáder Barbalho, Romero Jucá e Valdir Raupp. Passaram pelas mãos desse ‘time’ as UHEs Jirau & Santo Antônio e Belo Monte entre outras obras, além da Usina Nuclear de Angra dos Reis.”

Ainda no Anexo 28, Delcídio Amaral afirma que os peemdebistas do Senado “abraçaram a manutenção de Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento da Petrobrás e Nestor Cerveró na Diretoria Internacional, como consequência do ‘escândalo do Mensalão'”.

Renan Calheiros. Foto: Ed Ferreira/Estadão

Renan Calheiros. Foto: Ed Ferreira/Estadão

“A ação desse grupo se fez presente em subsidiárias da Petrobrás como, por exemplo, a Transpetro. Lá reinou, absoluto, durante 10 anos, Sérgio Machado, indicado por Renan Calheiros. Seguidas vezes o vi, semanalmente, despachando com Renan na residência oficial da presidência do Senado.”

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Delcídio Amaral estende sua delação para outras áreas do governo que teriam se tornado alvo com o declínio das gigantes da construção. “Especial atenção deveria ser dada à ANS e ANVISA, cujas diretorias foram indicadas pelo PMDB do Senado, principalmente pelos senadores Eunício Oliveira, Renan Calheiros e Romero Jucá. Jogaram ‘pesado’ com o governo para emplacarem os principais dirigentes dessas Agências. Com a decadência dos empreiteiros, as empresas de planos de saúde e laboratórios se tornaram os principais alvos de propina para os polîticos e executivos do governo. Vale lembrar que empresas do senador Eunício Oliveira prestavam e ainda prestam serviços terceirizados à Petrobrás e a vários ministérios, atravás de contratos milionários, sendo que alguns com ‘dispensa de licitação’ ou sem concorrência pública.”

Ainda sobre o PMDB. “Alguns dos principais operadores do PMDB são o paraense Jorge Luz e Milton Lyra. Este último um ‘homo brasiliensis’, educado, fino e com grande atividade junto aos fundos de pensão. Exemplo típico dessa atuação é o Postalis, que foi presidido na sua gestão anterior por Alexej Predtechensky, indicado por Renan e (Edison) Lobão. o ‘homo brasiliensis’ opera bastante com o deputado Eduardo Cunha e o senador Romero Jucá, especialmente na definição de emendas às MPs que tramitam nas duas Casas (Câmara e Senado). Dispensa comentários o nome de Silas Rondeau, ex-ministro de Minas e Energia.”

COM A PALAVRA, O EMPRESÁRIO MILTON LYRA

Por meio de sua assessoria de imprensa, o empresário Milton Lyra reagiu à citação ao seu nome na delação de Delcídio Amaral.

“Em relação às menções atribuídas a Delcídio do Amaral a respeito de Milton Lyra, o empresário repele rigorosamente as suposições, inferências e suspeitas lançadas pelo senador. “Ele nada mais fez que repetir notícias e fantasias publicadas na imprensa, certamente com o objetivo de comprar sua liberdade”, afirmou Lyra. O próprio senador afirmou não ter conhecimento de qualquer fato concreto que possa fundamentar suas ilações, o que faz da difusão dessas inverdades um ato criminoso.”

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