Andrade Gutierrez pede acesso a ‘todos os documentos’ da Lava Jato

Em petição subscrita por seis advogados, empreiteira quer que PF e Procuradoria juntem aos autos da operação tudo o que contém menção a seus dirigentes

Redação

25 Junho 2015 | 18h18

Por Mateus Coutinho, Julia Affonso e Fausto Macedo

A Construtora Andrade Gutierrez, alvo da Lava Jato, pediu à Justiça Federal que determine à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal juntada aos autos eletrônicos da investigação “todos os depoimentos e documentos (colhidos no âmbito da operação sobre corrupção e cartel na Petrobrás) ‘que façam menção à empresa e aos seus diretores e executivos’.

A petição entregue ao juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Lava Jato, é subscrita por seis criminalistas que integram o núcleo de defesa da empreiteira, cujo presidente, Otávio Marques de Azevedo, foi preso pela Erga Omnes, 14.ª fase da Lava Jato, deflagrada sexta-feira, 19.

Azevedo está sob suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro. Também foi preso Elton Negrão de Azevedo, executivo da Andrade Gutierrez.

Otávio Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez. Foto: Marcos de Paula/Estadão

Otávio Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez. Foto: Marcos de Paula/Estadão

O Ministério Público Federal e a Polícia Federal sustentam que já existem provas de que a empreiteira e seus dirigentes faziam parte do comando do cartel e fraudes em licitações ‘como uma prática de negócios’.

A Andrade Gutierrez nega envolvimento com o cartel de empreiteiras que, segundo a força-tarefa da Lava Jato, se apossou de contratos bilionários da Petrobrás.

Nesta quarta-feira, 24, o Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4) negou liminar em habeas corpus para o empresário Otávio Marques de Azevedo. O criminalista Edward Rocha disse que estuda medidas contra a prisão de Azevedo. “Lutaremos até o fim pela soltura de uma pessoa inocente. Não existe absolutamente nenhum fundamento para a prisão preventiva. A decisão que nega a liminar não aborda nenhum dos fundamentos para prisão preventiva, porque eles não existem”, afirmou Edward Rocha.

‘Relações institucionais’. Em depoimento aos investigadores da Lava Jato em maio, antes de ser preso, Otávio Azevedo admitiu ter se reunido várias vezes com Fernando Baiano, apontado como operador de propinas do PMDB no esquema de desvios na Petrobrás. Além de tratar de propostas de projetos para a empreiteira, segundo o executivo, Baiano teria lhe solicitado doações eleitorais para o PMDB. Desde o começo da operação o partido vem negando qualquer envolvimento com irregularidades e com Fernando Baiano.

Além disso, Otávio Azevedo declarou que manteve “relação institucional” com pelo menos seis políticos do PMDB, incluindo o vice-presidente da República Michel Temer e o presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB/RJ). “Que conheceu e teve relação institucional com os seguintes políticos do PMDB: Michel Temer, Eliseu Padilha (ministro da Secretaria de Aviação Civil), Eduardo Cunha, Eduardo Paes (prefeito do Rio), Sergio Cabral (ex-governador do Rio e alvo de inquérito na Lava Jato), Aloisio Vasconcelos, dentre outros”.

O executivo, contudo, não deu mais detalhes sobre o relacionamento institucional que manteve com estes políticos, e negou que a Andrade Gutierrez tenha participado do esquema de cartel em obras da Petrobrás. “Que prova de não ser beneficiado pelo alegado cartel é o fato de, apesar de ser a segunda maior empreiteira do País, a Andrade Gutierrez ficou na 12ª posição na participação de contratos com a estatal”, afirmou o executivo.