‘Amor’ e ‘Briga’ no conluio das gigantes da construção

‘Amor’ e ‘Briga’ no conluio das gigantes da construção

Senhas representavam convivência pacífica algumas vezes e atritos em outras no dia a dia de empreiteiras que dividiam o bolo das grandes obras públicas, segundo revelações da Odebrecht em acordo de leniência com o órgão antitruste do governo

Luiz Vassallo

20 de dezembro de 2017 | 05h00

Reprodução do Histórico de Conduta

No acordo de leniência que firmou com o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Cade), a empreiteira Odebrecht revelou como operava os cartéis de gigantes da construção para dividir o bolo de grandes obras públicas. ‘Amor’ e ‘Briga’ eram as senhas dos empreiteiros para identificar, respectivamente, momentos de boa convivência e acertos e atritos.

Documento

Os cartéis operavam licitações de obras de infraestrutura e transporte rodoviário em São Paulo. Um está relacionado à construção do Rodoanel Mário Covas, pelo menos em seu trecho sul, em certame realizado pela Desenvolvimento Rodoviário S/A – Dersa.

O outro conluio, segundo divulgou o Cade – órgão antitruste do governo federal -, envolveu licitações promovidas pela Dersa e pela antiga Empresa Municipal de Urbanização (Emurb) para implementação do Programa de Desenvolvimento do Sistema Viário Estratégico Metropolitano de São Paulo.

COM A PALAVRA, A DERSA
“A DERSA – Desenvolvimento Rodoviário S/A reitera que vem tomando conhecimento destas denúncias pela imprensa e que, assim como o Governo do Estado de São Paulo, é a maior interessada no andamento das investigações e nas eventuais punições do crime de formação de cartel. Todas as obras realizadas pela Companhia foram licitadas obedecendo-se à legislação em vigor. Se houve conduta ilícita com prejuízo aos processos licitatórios, o Estado irá cobrar, como já agiu em outras ocasiões, as devidas responsabilidades, pois formação de cartel é um delito contra a ordem econômica e a livre concorrência, prejudicial aos cidadãos e ao próprio Estado. ”

COM A PALAVRA, A SP URBANISMO

A SP Urbanismo informa que até o momento não recebeu nenhuma notificação do CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica a respeito dos contratos mencionados. Informa oportunamente que, quando notificada, fornecerá as informações pertinentes.
As obras do Programa de Desenvolvimento do Sistema Viário Estratégico Metropolitano de São Paulo ocorreram nos anos 2008 a 2011. As licitações de responsabilidade da Emurb eram Roberto Marinho em 2008, Chucri Zaidan em 2010 e Cruzeiro do Sul em 2010.
A EMURB – foi extinta em 2009 e dividida entre SP Urbanismo, ligada à Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento e a SP Obras vinculada a Secretaria Municipal de Serviços e Obras.

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