Amigo de Lula diz que foi ‘testa de ferro’ no empréstimo de R$ 12 mi para o PT

Amigo de Lula diz que foi ‘testa de ferro’ no empréstimo de R$ 12 mi para o PT

José Carlos Bumlai afirmou à PF que o presidente do Banco Schahin, Sandro Tordin, lhe disse que dirigentes da instituição queriam mantê-lo como 'refém' até conseguirem contrato bilionário com a Petrobrás

Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

16 de dezembro de 2015 | 05h00

Foto: Reprodução

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O empresário e pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula e preso desde 24 de novembro na Operação Passe Livre, disse à Polícia Federal que ‘acredita que foi usado como testa de ferro’ na emblemática operação de empréstimo de R$ 12 milhões junto ao Banco Schahin – valor tomado por ele em outubro de 2004 e que teria sido destinado ao PT para quitação de dívidas de campanha com marqueteiros.

Bumlai afirmou que tentou por longos cinco anos quitar a dívida, mas o então presidente do banco, Sandro Tordin, lhe disse que dirigentes da instituição iriam mantê-lo como ‘refém’, principalmente pela relação de amizade que o pecuarista tinha com o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A dívida só foi dada como quitada em 2009, um dia antes de o Grupo Schahin fechar contrato sem licitação de US$ 1,6 bilhão com a Petrobrás para operar o navio sonda Vitória 10.000.

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O amigo de Lula foi indiciado pela PF pelos crimes de corrupção passiva e gestão fraudulenta de instituição financeira (Lei do Colarinho Branco). Ele disse que aceitou tomar o empréstimo para atender a pedido de Tordin e do então tesoureiro do PT, Delúbio Soares – mais tarde condenado no processo do Mensalão. Segundo Bumlai, na época o PT ‘possuía muita força no cenário nacional e ele não queria se indispor com seus representantes’.

Afirmou que ‘não tinha ciência de quem receberia o dinheiro’ – inicialmente, segundo ele, depositado nas contas do frigorífico Bertin, a seu pedido.

Depois que o presidente do banco revelou a estratégia dos dirigentes do Schahin de mante-lo como ‘refém’ José Carlos Bumlai decidiu procurar o sucessor de Delúbio na tesouraria do PT, João Vaccari Neto. Segundo o amigo de Lula, Vaccari sabia que o banco ‘tinha relação’ com o PT. Algum tempo depois, Vaccari o informou que estavam em curso negociações do Grupo Schahin para operação da sonda Vitória 10.000.

Nesse trecho de seu relato, Bumlai declarou: “Que o interrogando acredita que foi usado como testa de ferro na circunstância; que Vaccari lhe disse que iria ajuda-lo, momento em que o interrogando entendeu que haveria uma troca de favores, a qual resultaria na concessão do contrato de operação de sondas para a empresa e, concomitantemente, na quitação de sua dívida; que, dias depois, João Vaccari Neto falou que o problema do interrogando seria resolvido.”