Amigo de Lula chega à prisão da Lava Jato

Amigo de Lula chega à prisão da Lava Jato

José Carlos Bumlai, réu por fraude no empréstimo de R$ 12 milhões para o PT, estava em regime domiciliar para tratamento de câncer, mas juiz Sérgio Moro ordenou seu retorno a Curitiba

Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Julia Affonso

06 de setembro de 2016 | 11h18

Bumlai se apresentou à PF em 6 de setembro de 2016. Foto: Geraldo Bubniak/AGB

Bumlai se apresentou à PF em 6 de setembro de 2016. Foto: Geraldo Bubniak/AGB

O pecuarista José Carlos Bumlai apresentou-se à Polícia Federal na manhã desta terça-feira, 6. Amigo do ex-presidente Lula, ele estava em regime de prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica, para tratamento de um câncer na bexiga e de complicações cardíacas, mas o juiz federal Sérgio Moro ordenou a ele que retornasse à prisão da Lava Jato, em Curitiba.

Bumlai foi encaminhado ao Instituto Médico Legal para exames de rotina e também para que um perito o avalie, a pedido do Ministério Público Federal.

A decisão de apresentar Bumlai foi tomada pela defesa, depois que o Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4) negou pedido de habeas corpus a Bumlai nesta segunda, 5.

O amigo de Lula estava em regime de prisão domiciliar para tratar de um câncer na bexiga e de complicações cardíacas.

Na semana passada, o juiz federal Sérgio Moro ordenou a Bumlai que se apresente à PF nesta terça, 6.
O argumento central da defesa do pecuarista no habeas corpus ao TRF4 é o ‘excesso de prazo’ da prisão preventiva decretada por Moro.

Bumlai foi capturado na Operação Passe Livre, desdobramento da Lava Jato, em 24 de novembro de 2015. Ele é réu em ação penal por corrupção, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta de instituição financeira.

Os investigadores supõem que Bumlai tem muito a dizer sobre seu amigo, o ex-presidente, que também é alvo da grande investigação sobre corrupção e propinas no esquema Petrobrás.

Bumlai é réu na ação penal sobre o emblemático empréstimo de R$ 12 milhões tomados do Banco Schahin em outubro de 2004. O dinheiro, segundo o amigo de Lula, foi destinado ao PT. Em troca do empréstimo que nunca recebeu de volta, o Grupo Schahin conquistou contrato sem licitação de US$ 1,6 bilhão na Petrobrás para operação de navio sonda, em 2009.

Na sexta-feira, 2, os advogados de Bumlai arriscaram a última cartada para tentar impedir o retorno dele à prisão da Lava Jato. Os advogados Jacinto Nelson de Miranda Coutinho, Daniella Megiollaro, Edward Rocha de Carvalho e Conrado de Almeida Prado ingressaram com habeas corpus no TRF4.

Nesta segunda, 5, o desembargador João Pedro Gebran Neto, relator da Lava Jato na Corte federal, indeferiu o pedido liminar.

Gebran destacou. “É sabido que em ações penais com elevado número de fatos e/ou réus os prazos de conclusão de inquéritos e das próprias ações penais devem ser relativizados.”

O desembargador disse que ‘vige o princípio da razoabilidade’.

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