Amigo de ex-presidente do Paraguai vendeu aviões

Americano é investigado pelos EUA; grupo suspendeu voos para a Venezuela antes da posse de Maduro

Redação

04 de junho de 2015 | 04h45

Um personagem é o centro das atenções do relatório sigiloso feito pelo agente Thomas A. Ethridge, do Drug Enforcement Administration (DEA, a agência antidrogas americana), que atuava no Consulado de São Paulo. Datado de 15 de agosto de 2013, o documento de oito páginas mostra a atuação do empresário americano Emir Adel Chehad. “Eu sei que vocês colocam coisas em aeronave para monitorar localização”, disse aos agentes do DEA que o entrevistaram em Miami, nos EUA.

Chehad tinha bom trânsito com políticos paraguaios. Em 2008, por exemplo, compareceu a uma festa em homenagem ao chanceler Alejandro Hamed na qual estava o ex-presidente Lino Oviedo. Em 2013, aos investigadores da DEA, se disse amigo do então presidente do Paraguai, Federico Franco, e confirmou a venda de aeronaves, mas negou envolvimento com o tráfico de drogas.

Foi Chehad, segundo a PF, quem vendeu um King Air modelo 300 à organização criminosa brasileira. Recebeu US$ 1 milhão. Também negociou um Learjet 35 com os acusados.

Foi do Paraguai que um ramo da organização passou a trazer a cocaína para o Brasil, em 2013. Os voos passaram a ser feitos por helicópteros – em um deles, o grupo usou um aparelho de propriedade do senador Zezé Perrella (PDT-MG). Os grampos da PF demonstram que o piloto da família fez isso sem o conhecimento do patrão.

Eleições. Além do Paraguai, o grupo tinha interesses políticos na Venezuela. Em uma mensagem interceptada pela PF, os brasileiros dizem que os voos para lá seriam interrompidos até a confirmação da posse de Nicolás Maduro, em 2013. Os militares venezuelanos temiam deixar que o grupo usasse o espaço aéreo do país, pois tinham medo de que isso provocasse um escândalo na campanha eleitoral.

Só em três oportunidades monitoradas pela PF o grupo perdeu aeronaves para as polícias da Venezuela e de Honduras – em todas elas, os acusados desconfiavam que o intermediário das propinas haviam se apropriado do dinheiro em vez de pagar militares e policiais.

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