Amigo blinda Lula

Amigo blinda Lula

"Gostaria de reforçar que nunca procuraria o então Presidente da República para que este interferisse nesta ou em qualquer outra questão comercial que envolvesse o interrogando", afirmou José Carlos Bumlai

Andreza Matais, Fausto Macedo, Julia Affonso e Ricardo Brandt

15 de dezembro de 2015 | 13h14

Bumlai (o segundo da direita para a esquerda) Foto: Reprodução

Bumlai (o segundo da direita para a esquerda) Foto: Reprodução

O empresário e pecuarista José Carlos Bumlai blindou o amigo e ex-presidente Lula em seu depoimento à Polícia Federal na segunda-feira, 14. Bumlai disse que Lula ‘é sim seu amigo, que mantinham encontros em finais de semana e que possuíam uma regra de que não se permitiam discutir assuntos econômicos ou políticos em tais ocasiões’.

Bumlai está preso desde 24 de novembro, quando foi alvo da Operação Passe Livre, desdobramento da Lava Jato. A Passe Livre é uma referência ao trânsito aberto que Bumlai desfrutava no Palácio do Planalto durante o governo do petista.

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Lula e Bumlai são amigos desde 2002. Na época, Lula o visitou em uma de suas fazendas em Mato Grosso. Por indicação do petista, Bumlai ganhou um assento no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, ‘pois sabia de seus projetos e conhecimentos atinentes a questão agrícolas e de reforma agrária’.

O pecuarista tinha até um crachá com o qual acessava livremente as dependências do Planalto.

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A prisão de Bumlai provocou uma onda de especulações sobre o que ele poderia revelar acerca de sua relações com o ex-presidente. Interrogado nesta segunda-feira, 14, o pecuarista foi questionado pela Polícia Federal sobre sua proximidade com Lula.

“Luiz Inácio Lula da Silva é sim seu amigo, que mantinham encontros em finais de semanas e que possuíam uma regra de que não se permitiam discutir assuntos econômicos ou políticos em tais ocasiões”, afirmou Bumlai.

O pecuarista, no entanto, blindou o ex-presidente. “Recebia diversas propostas, cartas, mensagens, das mais diversas pessoas que, por saberem da relação de amizade de ambos, pediam-lhe que fossem encaminhados ao presidente; que o interrogando nunca atendeu a qualquer um destes pedidos.”

Transação. Bumlai é alvo da Passe Livre por suspeita de participar de um esquema de corrupção na contratação da Schahin Engenharia, em 2009, como operadora do navio-sonda Vitoria 10.000, da Petrobrás.

De acordo com as investigações, a assinatura do contrato de operação da sonda em favor da Schahin ficou condicionada à quitação fraudulenta de um empréstimo de R$ 12 milhões concedido pelo Banco Schahin em 2004, a Bumlai e que beneficiou o PT.

Também neste trecho de seu interrogatório, Bumlai poupou o amigo. “Nunca solicitou a Luiz Inácio Lula da Silva que mantivesse qualquer diretor da Petrobrás em seu cargo.”

Em mais de uma oportunidade, Bumlai reiterou que Lula não se envolveu em suas demandas comerciais e nos negócios da Petrobrás. O pecuarista negou ter feito lobby pelo grupo Schahin na estatal ao citar os nomes de personagens emblemáticos da Operação Lava Jato, todos presos por suspeita de corrupção e lavagemde dinheiro – Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, suposto operador de propinas do PMDB, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o ex-diretor da área Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró. Apontou também o ex-gerente executivo da área Internacional da estatal Luiz Moreira.

“Nunca pediu a Fernando Baiano, João Vaccari Neto, Nestor Cerveró, Luiz Moreira e Luiz Inácio Lula da Silva qualquer espécie de interferência interna na Petrobrás que viesse a agilizar a contratação da Schahin”, disse. “Aliás, gostaria de reforçar que nunca procuraria o então Presidente da República para que este interferisse nesta ou em qualquer outra questão comercial que envolvesse o interrogando”

 

 

 

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