Amanhã é feriado – e depois de amanhã também!

Amanhã é feriado – e depois de amanhã também!

Adonai Aires de Arruda Filho*

25 de janeiro de 2020 | 05h00

Adonai Aires de Arruda Filho. FOTO: DIVULGAÇÃO

A discussão é antiga, mas sempre ganha um novo capítulo. É só a notícia sobre os feriados do próximo ano vir a público que parte da indústria e dos serviços se manifesta afirmando que os feriados prolongados afetam negativamente a economia. Olha-se para o que é perdido de um lado sem avaliar os ganhos do outro. Precisamos pensar nos feriados a partir de novas perspectivas e perceber o quanto movimentam e fazem crescer a economia do país.

Em 2020 serão nove feriados prolongados, o dobro do que tivemos no ano passado. Esses dias a mais de descanso impulsionam um mercado muito rico e com grande potencial, o turismo.

Em termos mundiais, o turismo gera cerca de um trilhão de dólares e motiva viagens de mais de 1,4 bilhão de pessoas mundo afora. Por aqui, o mercado ainda é incipiente quando levamos em conta o potencial que o país apresenta e os benefícios econômicos que o setor nos traz.  No ano passado, apenas com os feriados prolongados foram realizadas mais de 13 milhões de viagens que injetaram R$28,84 bilhões na economia. Agora, já imaginou em 2020?

Há uma grande expectativa para um ano melhor para a economia e turismo brasileiros, o que leva players a abrirem portas de investimento aplicando capital em obras de infraestrutura, modernização de sistemas, treinamentos e contratação de profissionais.

O movimento gerado impulsiona toda uma indústria que esta por trás. Para se ter uma ideia, 45% das vendas de carros no Brasil, em 2019, foram para locadoras de veículos. Parte expressiva disso deve-se ao aumento do uso de aplicativos de transporte, cujo público é, em sua maioria, de turistas.

Outro grande exemplo do poder do setor é o Círio de Nazaré, no Pará. O fluxo turístico movimentado pelo evento resultou em um aumento de 600% da produção local de maniva e mandioca. Já em Morretes, cidade histórica do litoral do Paraná, o consumo do barreado, prato típico da região, cresce em 40% nos meses com feriados prolongados.

Os picos de movimento gerados pelos feriados abrem milhares de vagas de trabalhos temporários. Mais de 50 setores ligados direta e indiretamente ao turismo são impactados positivamente com esta poderosa indústria. Considerando os altos índices de desemprego do país, incentivar atividades com potencial de geração de renda e emprego é mais do que recomendável, é fundamental.

Quando todos compreenderem a importância do setor, teremos mais incentivos e maior visibilidade. Se com as condições atuais já contribuímos tanto para a economia brasileira, imaginem quando passarmos a ser prioridade?

É visível que ações afirmativas e novos caminhos estão sendo traçados, mais ainda falta reconhecimento do trabalho que fazemos como promotores do Brasil e do mundo. Enquanto alguns lamentam os dias parados em razão dos feriados, nós celebramos. Afinal, este é o sistema e, com visão e planejamento todos saem ganhando!

*Adonai Aires de Arruda Filho é diretor do Núcleo de Turismo da Holding Higi Serv

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.