Alvos da Pripyat usam Olimpíada para tentar esticar defesa em processo eletrônico

Alvos da Pripyat usam Olimpíada para tentar esticar defesa em processo eletrônico

Juiz Marcelo Bretas, da Lava Jato do Rio, negou pedido: ‘absoluta inapropriedade’

Julia Affonso e Fausto Macedo

05 de setembro de 2016 | 05h30

Parque Olímpico. Foto: Fábio Motta/Estadão

Parque Olímpico. Foto: Fábio Motta/Estadão

Dois investigados da Operação Pripyat, desdobramento da Lava Jato no Rio, pediram ao juiz federal Marcelo Bretas que estendesse o prazo para responder à denúncia do Ministério Público Federal. A alegação das defesas do ex-diretor de Administração e Finanças da Eletronuclear Edno Negrini e do ex-diretor de Planejamento, Gestão e Meio Ambiente Persio Jordani, denunciados por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa pelo Ministério Público Federal, se voltou para o recesso do Judiciário durante a Olimpíada do Rio.

Marcelo Bretas negou o pedido e alegou que os investigados respondem a processo eletrônico. “O réu Edno Negrini foi citado no dia 4 de agosto de 2016, primeiro dia do recesso em virtude da Olimpíada. Por conseguinte, o prazo para a resposta à acusação somente se iniciou nesta terça-feira, dia 23 de agosto de 2016. Ademais, durante todo o período do recesso (19 dias), os autos, por serem eletrônicos, estavam disponíveis, na sua integralidade, às partes e aos seus advogados. Note-se ainda que o novo Código de Processo Civil ressalva, no parágrafo 2º, a hipótese de prazo em dobro justamente nos processos em autos eletrônicos. Assim, indefiro o pedido de aplicação do prazo em dobro, e o consequente pedido de restituição do prazo, por absoluta inapropriedade”, afirmou.

A Pripyat revelou que parte da propina distribuída no alto escalão da Eletronuclear foi dividida entre o ex-presidente da estatal Othon Luiz Pinheiro da Silva (1% ou R$ 12 milhões) e cinco ex-dirigentes. A investigação aponta que dividiram 1,2% do valor total da obra de R$ 1,2 bilhão o ex-diretor técnico Luiz Soares (0,3%), ex-diretor de Administração e Finanças Edno Negrini (0,3%), ex-diretor de Planejamento, Gestão e Meio Ambiente Persio Jordani (0,2%), ex-superintendente de Gerenciamento de Empreendimentos Luiz Messias (0,2%) e ex-superintendente de Construção José Eduardo Costa Mattos (0,2%).

O juiz da Pripyat respondeu ao pedido de Pérsio Jordani da mesma forma. “O réu Pérsio José Gomes Jordani foi citado no dia 8 de agosto de 2016, durante o recesso em virtude da Olimpíada. Por conseguinte, o prazo para a resposta à acusação somente se iniciou no dia 23 de agosto de 2016. Ademais, durante todo o período do recesso (19 dias) os autos, por serem eletrônicos, estavam disponíveis, na sua integralidade, às partes e aos seus advogados. Assim, indefiro a prorrogação do prazo, por absoluta inapropriedade.”

Segundo o Ministério Público Federal, foram pagos pelo menos R$ 3,6 milhões a Edno Negrini e R$ 2,4 milhões a Persio Jordani em propina pela Andrade Gutierrez. A denúncia da Operação Pripyat aponta que ‘para distribuição da propina, foi criada uma verdadeira contabilidade pela construtora Andrade Gutierrez, entre 2008 e 2014, com sistemático pagamento de vantagens aos envolvidos na organização criminosa’.

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