Alvos da Lava Jato no Supremo chegam a 364

Alvos da Lava Jato no Supremo chegam a 364

Segundo Procuradoria-Geral da República há 81 inquéritos de competência da Corte máxima envolvendo principalmente políticos que detêm foro privilegiado, entre deputados e senadores

Fausto Macedo, Mateus Coutinho e Julia Affonso

25 de agosto de 2016 | 04h00

Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

A Lava Jato tem 81 inquéritos e 364 investigados no âmbito do Supremo Tribunal Federal. Em apenas dezessete meses, de março de 2015 até agora, saltou mais de seis vezes o número de alvos da operação, sob tutela da Corte.

Em março de 2015, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao STF a abertura de 28 inquéritos contra 54 alvos, entre deputados e senadores, políticos que detêm foro privilegiado.

As informações foram divulgadas pela Procuradoria-Geral da República, nesta quarta-feira, 24, em meio à crise que atingiu temperatura máxima com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, autor de pesadas críticas à força-tarefa da Lava Jato, a ela atribuindo o vazamento da delação do empreiteiro Léo Pinheiro, que teria citado outro ministro da Corte, Dias Toffoli – o procurador-geral afirma que não há uma única menção ao ministro.

Um ano e cinco meses depois da primeira ofensiva de Janot na Lava Jato, o número de investigados subiu para 364, incluindo pessoas físicas (não apenas políticos) e jurídicas, divididos em 81 inquéritos.

Há 14 denúncias relacionadas a 17 desses inquéritos, com acusações contra 45 alvos. Três dessas denúncias já foram recebidas pelo Supremo e passaram a tramitar como ações penais.

A Procuradoria-Geral da República já enviou ao Supremo 1.337 manifestações relacionadas à Lava Jato, tendo sido realizadas 162 buscas e apreensões.

Quanto a quebras de sigilo, o STF já autorizou, a pedido da Procuradoria, 147 relacionadas ao sigilo fiscal, 168 ao sigilo bancário, 121 ao sigilo telefônico, três de sigilo telemático e duas de dados. Já foram decretados 16 sequestros de bens e quatro de valores.

Ainda segundo dados da Procuradoria, já foram homologadas, pelo Supremo, 41 delações premiadas relacionadas à Lava Jato, das quais a maioria com réus soltos, ‘o que refuta a tese de que Ministério Público e Judiciário efetuam prisões para conseguir fechar acordos’.

Atualmente, a Lava Jato soma, no âmbito da Suprema Corte, R$ 79 milhões repatriados ao Brasil.

Esses valores fazem parte de um total de R$ 659 milhões já repatriados na Lava Jato, ‘revelando a importância da cooperação internacional para o aprofundamento do caso e para a recuperação de recursos desviados da Petrobrás’.

Em manifestação no Conselho Nacional do Ministério Público, na terça-feira, 23, Janot destacou a importância de fortalecer, cada vez mais, o Ministério Público como órgão de controle, ‘prezando sua autonomia e sua independência funcional’.

“Esses dois institutos, ao lado da unidade, são pedras de toque para a atuação equilibrada, profissional e objetiva do Ministério Público”, disse o procurador.

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