Alvos da Lava Jato no Rio liberados por Gilmar deixam a cadeia

O ministro do Supremo Tribunal Federal estendeu a quatro outros investigados na Operação Ponto Final o habeas corpus que havia beneficiado os empresários de ônibus Jacob Barata Filho e Lélis Teixeira

Roberta Pennafort, do Rio de Janeiro

20 Agosto 2017 | 18h23

Acusados de envolvimento direto na máfia dos transportes do Rio pela Força Tarefa da Lava Jato no Rio, os quatro presos da Operação Ponto Final beneficiados por habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes deixaram a prisão neste domingo, 20. São eles: Marcelo Traça Gonçalves, Octacílio de Almeida Monteiro, Cláudio Sá Rodrigues de Freitas e Eneas da Silva Bruno.

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O ministro concedeu a eles uma extensão do habeas corpus que havia beneficiado os empresários de ônibus Jacob Barata Filho e Lélis Teixeira. Eles foram liberados ontem. A decisão foi criticada pela Procuradoria da República no Rio, que já pediu duas vezes a suspeição ou impedimento de Gilmar para julgar casos relacionados às investigações da Operação Ponto Final por ter uma “estreita relação” com Barata Filho – Gilmar foi padrinho de casamento da filha do empresário, realizado em 2013 (o noivo é sobrinho do ministro).

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No pedido, feito para que “não paire qualquer  dúvida de imparcialidade” sobre as decisões do STF, os procuradores da República enumeram outras seis razões pelas quais Gilmar deveria ser impedido de julgar processos relativos a Barata Filho – apelidado de “o rei do ônibus do Rio” por seu poder no ramo, herdado do pai, Jacob Barata – e a Teixeira, que haviam sido presos mês passado na Ponto Final.

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Marcelo Traça Gonçalves e Octacílio de Almeida Monteiro são empresários do setor no Rio; Gonçalves era presidente do Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Setrerj) e vice-presidente do conselho de administração da Federação das Empresas de Transportes do Estado (Fetranspor) e Monteiro, vice-presidente do do Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio (Rio Ônibus).

Cláudio Sá Rodrigues de Freitas era operador do esquema, que teria pago R$ 144,7 milhões de propina ao ex-governador Sergio Cabral (PMDB) durante seu governo (2007-2014) e mesmo após o fim dele. Eneas da Silva Bruno era diretor financeiro do Rio Ônibus.

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