Alvo de procedimento por importunação sexual contra Isa Penna, Fernando Cury desiste de sustentação oral em comissão de Ética do partido

Alvo de procedimento por importunação sexual contra Isa Penna, Fernando Cury desiste de sustentação oral em comissão de Ética do partido

Redação

08 de janeiro de 2021 | 16h01

Trecho do vídeo exibido em plenário nesta quinta-feira Foto: Alesp / Reprodução

Alvo de procedimento no Conselho de Ética do Cidadania por importunação sexual contra a deputada Isa Penna (PSOL), o deputado Fernando Cury dispensou a sustentação oral que faria perante ao colegiado do partido nesta quinta-feira, 7. A expectativa é a de que a relatora do caso, Mariete de Paiva Souza, entregue o parecer envolvendo o caso na próxima semana, diz a legenda.

“O direito de se manifestar pessoalmente estava garantido, o deputado teria este importante momento para falar com o colegiado e expor suas razões. Mas, conforme o documento enviado por ele, seu advogado achou por bem desconsiderar o trabalho que está sendo feito e renovar questões que serão discutidas no Diretório Nacional. É uma pena”, registrou a relatora do processo em nota.

O procedimento foi aberto logo após o episódio, que foi foi transmitido ao vivo pelo canal da Alesp no Youtube em dezembro. Nas imagens, Isa Penna é vista conversando com o presidente da Casa, Cauê Macris (PSDB), quando Cury se aproxima da Mesa Diretora, se posiciona atrás da deputada e coloca a mão na lateral de seus seios. Isa empurra o deputado para afastá-lo em seguida.

A oitiva de Cury foi marcada a pedido do próprio deputado, diz o Cidadania. No entanto, segundo o partido, o parlamentar, por orientação da defesa, dispensou a sustentação oral sob alegação de que havia sido marcada de forma célere.

Também em nota, o presidente do Conselho de Ética do partido, Alisson Micoski indicou que a instância partidária não é ‘órgão jurisdicional’, mas político, e ponderou que a defesa não tratou até o momento da ‘essência da representação’ – o assédio flagrado pelas câmeras da Alesp. A defesa questiona suposta interferência da presidência do Cidadania e de fontes externas ao partido no processo.

“O Conselho não está vinculado aos códigos processuais, com rigor no formalismo. Nosso norte são o Código de Ética e o Estatuto, mas as bases da ampla defesa e do devido processo legal foram observadas. Teve prazo para defesa e acatamos o pedido de sustentação oral. O que é relativo ao objeto da representação foi garantido. Nem Roberto Freire nem Luciano Huck têm voto neste colegiado. O que posso dizer é que concordo com o apresentador: aos assediadores, os rigores da lei e o repúdio público”, indicou.

Micoski disse ainda que o Conselho mantém a expectativa de receber o parecer da relatora no próximo dia 10. Os demais integrantes do colegiado poderão propor emendas ao relatório. Após concluído, o documento será votado e encaminhado à Presidência Nacional do Cidadania.

“Isso possivelmente já será feito na segunda-feira (11). Caberá então à Presidência convocar o Diretório Nacional para avaliar a peça, decidindo se aprova ou rejeita o relatório, que pode indicar já eventuais punições”, comentou Micoski.

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