Alvo de Alexandre, Otoni de Paula critica recuo de Bolsonaro: ‘Leão que não ruge vira gatinho’

Alvo de Alexandre, Otoni de Paula critica recuo de Bolsonaro: ‘Leão que não ruge vira gatinho’

Em discurso na Câmara, deputado bolsonarista disse que 'conselheiros apequenaram' o presidente

Vinícius Valfré/BRASÍLIA

09 de setembro de 2021 | 21h23

O deputado Otoni de Paula (PSC-RJ) criticou o recuo do presidente Jair Bolsonaro na sequência de ameaças golpistas e ataques direcionados ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O chefe do Executivo publicou uma carta, nesta quinta-feira, 9, em que fez elogios ao magistrado e disse que suas declarações nos atos do dia 7 foram feitas “no calor do momento”.

O deputado bolsonarista, porém, não criticou o presidente. Disse que foram os “conselheiros” de Bolsonaro que o apequenaram.

“Estamos vivendo uma ditadura da toga. E o povo foi para a rua para gritar. Infelizmente, os conselheiros do presidente Bolsonaro o tornaram pequeno. Leão que não ruge vira gatinho. É nisso que estão tentando transformar o grande leão dessa República”, afirmou nesta quinta-feira, 9, na Câmara.

Otoni de Paula foi alvo de mandado de busca e apreensão expedido por Alexandre de Moraes, a pedido da Procuradoria-Geral da República, em 20 de agosto. Ele e outros bolsonaristas são investigados por suspeita de articular atos violentos contra o Congresso e o STF.

O deputado participou dos atos em favor de Bolsonaro, no dia 7, no Rio de Janeiro. Apareceu ao lado de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro. Queiroz é apontado pelo Ministério Público como operador do esquema de ‘rachadinha’ na época que Flávio exercia mandato na Assembleia do Rio de Janeiro.

O deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ). Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados

Enquanto Otoni fazia seu pronunciamento na tribuna da Câmara, Jair Bolsonaro estava na transmissão ao vivo que faz semanalmente para as redes sociais. Na live, o presidente declarou que “muitos querem” uma “autorização imediata” para medidas inconstitucionais, mas que ele não vai “sair das quatro linhas” da Constituição.

Nos comentários dos canais oficiais, o presidente foi fortemente criticado. Os internautas usavam expressões como “amarelou” e “arregou” em protesto contra o aceno que ele fez a Alexandre de Moraes.

“O povo fez a sua parte. Ele não fez nada. Decepção”, dizia um comentário. “Presidente, nossa parte nós fizemos no 7 de setembro. Vai continuar conversando com o STF comandando o Brasil e instalando o comunismo?”, provocou outro. “Depois dessa, acho que muita gente não vai votar no senhor”, escreveu um internauta.

Nesta quinta, a maior parte da estrutura e dos veículos instalados nas imediações da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, foi retirada. O governo do Distrito Federal segue negociando a liberação total. Na quarta, o presidente gravou um áudio dizendo que a paralisação desses profissionais prejudicava a economia e, sobretudo, os mais pobres. Havia manifestações em estradas de ao menos 15 estados.

Até antes da saída, a tensão era permanente nas cercanias da Praça dos Três Poderes. No fim da tarde, apoiadores de Bolsonaro subiram no carro de som para novos discursos com tom ameaçador.

“O presidente Bolsonaro vai ter que dizer o que ele está querendo. Porque nós estamos dizendo o que estamos querendo”, afirmou um apoiador que vestia camiseta com uma imagem do presidente sobre um cavalo.

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