Alvo da PF, Serra está internado em spa no interior paulista

Alvo da PF, Serra está internado em spa no interior paulista

Investigado na Operação Paralelo 23 por suposto recebimento de caixa dois na campanha de 2014, senador passa por tratamento sob supervisão médica desde junho

Eduardo Gayer/SÃO PAULO e Daniel Weterman/BRASÍLIA

21 de julho de 2020 | 16h27

Alvo de mandado de busca e apreensão nesta terça-feira, 21, por suposto envolvimento em esquemas de caixa dois na campanha de 2014, o senador José Serra (PSDB-SP) está internado para tratamento médico em um spa no interior de São Paulo. A informação, apurada pelo Broadcast Político, foi confirmada pela assessoria do parlamentar.

De acordo com a equipe de comunicação de Serra, o senador está internado sob supervisão médica desde meados de junho, mas segue trabalhando, remotamente, por ser do grupo de risco para a covid-19. Ele tem 78 anos. Ainda segundo a assessoria, a Política Federal e o Ministério Público têm conhecimento da sua localização e a estadia não é paga nem reembolsada pelo Senado Federal.

Segundo fontes do Broadcast Político, Serra chegou a conversar com alguns eleitores nas áreas comuns do spa e está ‘bastante abatido’. Ele assistiu a uma palestra com nutricionista e estava acompanhado por um homem que o ajudava a andar.

Senador José Serra. Foto: Beto Barata/PR-31/1/2018

A Lava Jato deflagrou hoje a Operação Paralelo 23 para investigar suposto caixa dois de R$ 5 milhões na campanha de José Serra ao Senado Federal, em 2014, com 15 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Itatiba (SP), Itu (SP) e Brasília (DF). A doação não contabilizada teria sido feita pelo empresário José Seripieri Junior, fundador e ex-presidente da Qualicorp, preso hoje.

Entre os endereços, está o apartamento funcional de Serra na capital federal. O gabinete do tucano no Senado também seria alvo da operação, mas o mandado foi suspenso pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, a pedido do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

Em nota, Serra negou as acusações e considerou a operação ‘abusiva’ e uma ‘espetacularização’.

Odebrecht. No início do mês, Serra e a filha Verônica Allende Serra foram denunciados pelo Ministério Público Federal por suspeita de lavagem de dinheiro transnacional. Eles foram alvos de uma operação da Lava Jato e, segundo o Ministério Público Federal (MPF), o senador teria recebido da Odebrecht pagamentos indevidos em troca de benefícios relacionados às obras do Rodoanel Sul, em São Paulo.

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