Alvo da Lava Jato por suspeita de propinas da saúde, primo de Alexandre Baldy se apresenta à PF em São Paulo

Alvo da Lava Jato por suspeita de propinas da saúde, primo de Alexandre Baldy se apresenta à PF em São Paulo

Rodrigo Dias, ex-presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) teria recebido R$ 250 mil em propinas em esquema que direcionou e turbinou contrato da Fundação de Apoio à Fiocruz (Fiotec)

Paulo Roberto Netto

07 de agosto de 2020 | 19h48

O ex-presidente da Fundação Nacional da Saúde, Rodrigo Dias, primo do secretário licenciado de Transportes Metropolitanos de São Paulo Alexandre Baldy, se apresentou nesta sexta, 7, à Polícia Federal em São Paulo. Ele teve a prisão temporária decretada pelo juiz Marcelo Bretas, da Lava Jato, no âmbito da Operação Dardanários, deflagrada nessa quinta, 6.

Dias é acusado de receber propinas de empresários investigados por desvios de verbas da Saúde no Rio. Segundo o Ministério Público Federal, após ser indicado ao cargo por Alexandre Baldy em 2016, o então presidente da Funasa firmou pagamento de propinas para ele e o primo em troca de contrato com a empresa Vertude, dos delatores Edson Giorno e Ricardo Brasil.

O acordo previa que, em troca de um contrato de R$ 4,5 milhões, Rodrigo Dias receberia R$ 250 mil de propinas. Alexandre Baldy receberia R$ 900 mil. A contratação foi feita por meio de um edital direcionado da Fundação de Apoio à Fiocruz (Fiotec), que atuava junto à Funasa.

Apesar da disputa pela licitação ter reduzido o contrato para R$ 2,8 milhões, Rodrigo Dias teria arquitetado um aditivo de R$ 1,7 milhão que levou o contrato ao valor acertado com os delatores. O esquema, segundo a Lava Jato, contou com a participação de um pesquisador da Fiocruz.

O ex-presidente da Funasa, Rodrigo Sérgio Dias, primo de Alexandre Baldy e alvo da Lava Jato Rio. Foto: MEC / Divulgação

Além da Funasa, Rodrigo Dias chefiou Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) durante a gestão Jair Bolsonaro (Sem partido). Ele foi demitido em dezembro do ano passado.

Além de Rodrigo Dias, também se apresentou à Polícia Federal em Goiás Izídio Ferreira dos Santos Júnior, que teria recebido R$ 5 mil da Vertude para ‘não atrapalhar o andamento’ de um contrato da Vertude com a Junta Comercial de Goiás (Juceg). A licitação também teria sido conduzida pelo esquema de propinas ligadas a Baldy, em 2014.

Alexandre Baldy foi preso temporariamente na quinta, 6, e se licenciou do cargo de Secretário de Transportes Metropolitanos de São Paulo por dias 30 dias. Nesta quinta, ele teve habeas corpus rejeitado pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região. A defesa do secretário também apresentou uma reclamação ao Supremo Tribunal Federal, que aguarda avaliação do ministro Gilmar Mendes.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE RODRIGO DIAS
A reportagem busca contato com a defesa de Rodrigo Dias e demais investigados. O espaço está aberto a manifestações (paulo.netto@estadao.com)

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA PIERPAOLO CRUZ BOTINI, DEFENSOR DE BALDY

Alexandre Baldy tem sua vida – particular e pública – pautada pelo trabalho, correção e retidão. Ao estar em cargos públicos, fica sujeito a questionamentos. Foi desnecessário e exagerado determinar uma prisão por fatos de 2013, ocorridos em Goiás, dos quais Alexandre não participou.
Alexandre sempre esteve à disposição para esclarecer qualquer questão, jamais havendo sido questionado ou interrogado, com todos os seus bens declarados, inclusive os que são mencionados nesta situação. A medida é descabida e as providências para a sua revogação serão tomadas.

COM A PALAVRA, A SECRETARIA DE TRANSPORTES METROPOLITANOS

Na manhã de hoje (6), a Polícia Federal esteve na sede da Secretaria dos Transportes Metropolitanos, em São Paulo, cumprindo mandado de busca e apreensão da Operação Dardanários, que foi expedido pela 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro. Importante ressaltar que tal operação não tem relação com a atual gestão do Governo de São Paulo. A STM colaborou junto à PF enquanto estiveram no prédio. Após as buscas, nenhum documento ou equipamento foi levado pela Polícia Federal.

COM A PALAVRA, O GOVERNADOR JOÃO DORIA

Os fatos que levaram as acusações contra Alexandre Baldy não têm relação com a atual gestão no Governo de São Paulo. Portanto, não há nenhuma implicação na sua atuação na Secretaria de Transportes Metropolitanos. Na condição de Governador de São Paulo, tenho convicção de que Baldy saberá esclarecer os acontecimentos e colaborar com a Justiça.

COM A PALAVRA, A PRÓ-SAUDE

A Pró-Saúde informa que, desde 2017, tem colaborado de forma irrestrita com as investigações e vem adotando ações para o fortalecimento de sua integridade institucional.

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