Alvo da Lava Jato do Cerrado encontrado morto em Goiânia

Alvo da Lava Jato do Cerrado encontrado morto em Goiânia

Claudionor Francisco Guimarães Filho, supervisor de qualidade da empresa de Saneamento do governo Marconi Perillo (PSDB), foi alvo de condução coercitiva na deflagração da Operação Decantação

Julia Affonso e Fausto Macedo

29 de agosto de 2016 | 16h07

Saneago. Foto: Reprodução/Google Streetview

Saneago. Foto: Reprodução/Google Streetview

O supervisor de qualidade da empresa de Saneamento de Goiás (Saneago), Claudionor Francisco Guimarães Filho, foi encontrado morto nesta segunda-feira, 29, em Goiânia. Claudionor foi alvo de condução coercitiva e busca e apreensão na Operação Decantação, a Lava Jato do Cerrado, na quarta-feira, 24.

Claudionor foi encontrado no Jardim Botânico de Goiânia, segundo o jornal ‘O Popular’, enforcado em uma árvore. A Polícia Civil trabalha com a hipótese de suicídio.

Segundo a investigação, Claudionor era um dos funcionários da empresa que tinha conhecimento do esquema Saneago. A Saneago teria bancado partidos com recursos do PAC, do BNDES e da Caixa, além da quitação de dívidas de campanha da reeleição do governador Marconi Perillo (PSDB), em 2014. Os desvios, segundo a PF, chegaram a R$ 4,5 milhões.

Na quarta-feira, 24, a Polícia Federal e a Procuradoria da República prenderam o presidente regional do PSDB, Afrêni Gonçalves, por suspeita de envolvimento com o esquema. Nesta segunda, 29, Afrêni foi solto por ordem judicial, mas ao tucano foram impostas restrições – por exemplo, ele não poderá fazer contato com outros alvos da Decantação nem mesmo pelas redes sociais ou e-mail.

Grampos da PF pegaram Claudionor, em 8 de dezembro de 2015, com um representante da empresa Tecnobombas, contratada pela Saneago. Para os investigadores, a conversa mostra ‘o poder de influência da empresa Tecnobombas no âmbito da Saneago’.

Em um telefonema, o representante da Tecnobombas ‘insiste em obter com Claudionor as curvas (possivelmente trata-se de curvas de desempenho) das bombas ofertadas pelos concorrentes’.

Segundo a investigação, Claudionor ‘sabe que o pedido é criminoso, tanto que de início nega o acesso, afirmando que não seria possível’, mas ‘no decorrer da ligação, acaba cedendo, informando que olharia a informação e depois conversaria’ com o representante da empresa, ‘assim que chegasse no setor de controle de qualidade da Saneago, e assim o fez’.

COM A PALAVRA, A SANEAGO

“A Saneago lamenta profundamente o falecimento do engenheiro civil Claudionor Francisco Guimarães Filho, na manhã desta segunda-feira (29). Claudionor trabalhou como gerente de Topografia, foi coordenador de Projetos da Superintendência de Estudos e Projetos da Companhia e, atualmente, estava lotado na Supervisão de Qualidade. A Saneago está prestando toda assistência necessária aos familiares, nesse momento de tamanha dor.”

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