Alvarina, 100 anos, ganha aposentadoria e pensão na varanda de casa

Alvarina, 100 anos, ganha aposentadoria e pensão na varanda de casa

'Hoje, aqui, na minha casa, estou vendo de perto a Justiça ser feita', disse Alvarina Maria de Jesus, diabética, lavradora de Itapuranga, Goiás

Redação

23 de agosto de 2015 | 10h30

Alvarina Amaria de Jesus. Foto: Aline Caê/TJ-GO

Alvarina Amaria de Jesus. Foto: Aline Caê/TJ-GO

Por Julia Affonso

Sentada em uma cadeira na varanda de sua casa, em Itapuranga, no interior de Goiás, na tarde da última terça-feira, 18, a lavradora Alvarina Maria de Jesus, de 100 anos, conseguiu garantir dois benefícios, a conversão do amparo assistencial (Loas) para a aposentadoria e a pensão pela perda do companheiro, que morreu há 17 anos de câncer. O depoimento foi colhido pelo juiz Thiago Cruvinel Santos, que concedeu os direitos ao mesmo tempo.

As informações foram divulgadas pelo site do Tribunal de Justiça de Goiás. Alvarina contou ao magistrado que sempre morou na roça. A lavradora afirmou que trabalhava cuidando de plantações, criava as galinhas e ficava responsável por todo o serviço da casa.

“Sou uma mulher que viveu muito, vi coisas e sofri todo tipo de privação, junto ao meu marido, meus filhos e meu neto. Mas, sou pessoa de fé. Acredito em Deus, na vida, no ser humano. Hoje, aqui, na minha casa, estou vendo de perto a Justiça ser feita”, disse Alvarina, que é diabética e tem problema de circulação nas pernas.

Itapuranga fica a 165 quilômetros da capital Goiânia. A cidade tem 27 mil habitantes.

Um deles é João Jesus. Amigo da família de Alvarina, ele foi ouvido pelo magistrado como testemunha da lavradora. “Achei muito bonita essa iniciativa, nunca imaginei que ia ver isso de perto um dia. Um juiz se deslocar do gabinete dele para vir na casa de uma pessoa humilde assim como a Alvarina, que realmente precisa desses benefícios. Nem tenho palavras para falar da minha alegria e contentamento”, afirmou.

O juiz Thiago Cruvinel ressaltou que a missão do julgador não pode estar restrita à letra fria da lei. “É impossível não nos sensibilizarmos com a situação de uma pessoa de 100 anos que precisa ser atendida com urgência e ter direitos básicos garantidos legalmente para que possa usufruir, com um pouco de dignidade, dos anos de vida que lhe restam.”

Cruvinel destaca que ‘na maioria das vezes, a Justiça é má interpretada’. “Somos obrigados a cumprir um protocolo que a lei nos impõe. O mutirão previdenciário veio para mudar a concepção de que o Judiciário está distante da população. Hoje, a Justiça vai até o cidadão, olha nos seus olhos e conhece sua história de vida para que o julgamento seja realmente justo.”

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