Aluna de Moro assume responsabilidade por plágio em artigo jurídico

Aluna de Moro assume responsabilidade por plágio em artigo jurídico

Beathrys Ricci Emerich disse que cometeu 'falha metodológica' e não intencional; ex-ministro da Justiça, que é coautor do texto, afirmou que erro foi reconhecido

Paulo Roberto Netto e Fausto Macedo

27 de junho de 2020 | 17h52

A advogada Beathrys Ricci Emerich admitiu ter cometido plágio em artigo publicado em coautoria com o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. O caso veio à tona após o advogado Marcelo Augusto Rodrigues de Lemos apontar trechos do texto que foram copiados de artigo publicado por ele no site Conjur. Procurado, Lemos disse que aguarda retratação do ex-juiz da Lava Jato.

Documento

“A redação do artigo foi minha e, infelizmente, acabou acontecendo a falha metodológica consistente na ausência de citação do ilustre autor Dr. Marcelo Augusto Rodrigues de Lemos”, afirmou. “Reconheço a falha não intencional, mesmo porque não havia motivos para não citar o autor, tendo em vista que o trabalho citou mais de vinte outros autores”

O texto de 16 páginas assinado por Beathrys com a coautoria de Moro foi publicado na revista Relações Internacionais do Mundo Atual, da Unicuritiba, e discutia lavagem de dinheiro através de pagamentos advocatícios.

Em nota, Moro afirmou que sua aluna cometeu um ‘erro metodológico’ ao utilizar dois ‘pequenos trechos sem citar o autor’. “O artigo foi retirado da revista, ela já reconheceu o erro e pediu desculpas ao autor. É o trabalho de uma aluna de pós-graduação que cometeu um erro e já o corrigiu, o que é louvável”, disse.

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. Foto: Gabriela Biló / Estadão

Procurado pela reportagem do Estadão, o advogado Marcelo Augusto Lemos, autor do texto plagiado, afirma que recebeu o pedido de desculpas da ex-aluna de Moro, mas destaca que a responsabilidade do artigo também é do ex-ministro e, por isso, espera um pedido de retratação.

“Se, por outro lado, o artigo tivesse tido publicidade positiva, penso que a história seria diferente”, afirmou. “Isto é, se, hipoteticamente, o texto tivesse desenvolvido uma tese inovadora, penso, ainda, que os louros da vitória seriam, por certo, compartilhados em igual proporção”.

Lemos disse que não cogita, por ora, entrar com um processo contra Moro e Beathrys, visto que o ‘Judiciário já está abarrotado de processos e é importante não judicializar assuntos que podem ser resolvidos de uma forma simples’. “Por isso, uma retratação conjunta de ambos me traria satisfação, com o que daria por encerrado o cargo”, disse.

Tudo o que sabemos sobre:

Sérgio Moroplágio

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.