Alfabetizando os analfabetizados: desvendando o encantamento…

Alfabetizando os analfabetizados: desvendando o encantamento…

José Barroso Filho*

11 de julho de 2020 | 07h00

José Barroso Filho. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Estudar o aperfeiçoamento do processo de ensinagem para jovens e adultos é, sobretudo, um ato de respeito ao aprendente que é um autocrítico com um projeto de crescimento pessoal e profissional e que tem inúmeros outros afazeres e responsabilidade advindos da família e do trabalho.

Os adultos se motivam para aprender dependendo de seus interesses e necessidades.

A orientação da aprendizagem do adulto deve estar centrada na vida.

O desafio é fazer que a realidade, ao invés de ser uma força centrifuga do processo de ensino, em verdade seja o principal motivador da práxis educadora.

Neste contexto, é necessário definir a estratégia de ensino com a especificação das técnicas escolhidas, a forma como serão combinadas e onde serão combinadas.

Assim, o centro da metodologia do adulto é a análise de experiências e deve considerar as diferenças de estilo, tempo, lugar e ritmo de aprendizagem.

Os aprendentes são experientes, com diversos saberes, independentes e autodirecionados.

Dessa forma, eles são motivados pela satisfação gerada pelo aprendizado advindo de processos inquisitivos, experimentação e estudos independentes.

Bem assim, este ser aprendente, nas palavras de Edgar Morin precisa de mais autonomia e mais comunidade… e acrescento: mais realidade.

Trazer a realidade para a sala de aula é introduzir uma força centrípeta que desperta o interesse e a motivação do aprendente, qualificando o processo de ensino.

Neste processo de desenvolvimento emancipador, transcendente a importância da interdisciplinaridade que refuta a ideia de que o conhecimento é estável, compartimentalizado e linear.

Assim é a Vida, o ensino não pode ser diferente.

A necessária transversalidade indica a compreensão da realidade em sua complexidade, isto é, as relações entre o conhecimento organizado sistematicamente e o conhecimento do cotidiano.

Nessa práxis educativa, a verdadeira teoria busca e se justifica na prática, todo o resto é verbalismo voltados à cooptação ideológica.

O verdadeiro Ensino não se contenta
enquanto não houver Aprendizagem

Afinal, quem só acumula conteúdo, não aprende porque não pensa.

Pensar exige a reflexão… Só se aprende o que não se sabe,

Caminhemos para um pensamento potencialmente relativista, relacionista e auto conhecedor, para tanto, uma educação para as habilidades não pode prescindir de uma educação para as sensibilidades.

Os adultos são portadores de uma experiência, mais do que o jovem e este mais do que a criança.

Assim, este processo de ensino de jovens e adultos deve ser marcado pela continuidade e congruência.

São saberes trazidos que buscam outros saberes para melhor desenvolver habilidades e competências.

Bem nas palavras de Anísio Teixeira: “Educar é crescer. E crescer é viver. Educação é, assim, a vida no sentido mais autêntico da palavra”

Crescer não é repetir-se ou acomodar-se.

É um constante reinventar-se e a Educação é a nossa mediação com o Futuro, alargando as possibilidades entre a Vida pensada e a Vida Vivida.

Sempre é tempo…de Ser (inquietantemente) Humano.

*José Barroso Filho, professor. Ministro vice-presidente do Superior Tribunal Militar e corregedor da Justiça Militar da União

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