Alfabetização em tempos de pandemia: processo, que não é simples, pode acontecer normalmente no ensino híbrido

Alfabetização em tempos de pandemia: processo, que não é simples, pode acontecer normalmente no ensino híbrido

Cristiana Tolosa*

02 de março de 2021 | 14h00

Cristiana Tolosa. FOTO: DIVULGAÇÃO

A pandemia foi um desafio para a educação em todo o mundo, principalmente para crianças que sofreram com o fechamento das escolas. Porém, as novidades impostas nos fizeram aprender e adaptar às novas possibilidades. Com a volta das aulas de forma híbrida agora, muitos têm se perguntado sobre como isso afetou o processo de aprendizagem e a principal dúvida é: como ficou a alfabetização? Como prosseguir com o plano de ensino a partir de agora?

Se pensarmos apenas na decodificação e codificação de palavras, é fácil concluir que os pequenos podem sofrer algum prejuízo em seu processo de alfabetização, por causa da interrupção dos “treinos” diários de leitura e escrita na escola, já que eles ocorreram de forma online em 2020.

Mas é importante ter em mente que a alfabetização deve ser vista como um processo longo, e não algo que acontece rapidamente. Por fazer parte de uma sociedade que utiliza a escrita, é comum que crianças de 3 ou 4 anos reflitam sobre a língua em geral, sonoridades, formas da escrita e sua função social. Isso nos mostra que elas pensam nesse assunto antes mesmo de começar o processo.

Na escola, para que esse aprendizado seja absorvido, principalmente com a alternância de encontros presenciais e virtuais, há a necessidade de incentivar a criança a observar o mundo e suas múltiplas linguagens, levantando perguntas e experimentando diferentes soluções, o que vai resultar em boas condições para o desenvolvimento da leitura e escrita.

Para garantir o engajamento em aulas online, é fundamental encorajar a curiosidade, a criatividade e a resolução de problemas para construir pensamentos que levem à leitura e à escrita, e que podem ser estimulados ainda mais enquanto o ensino híbrido permanecer. Nesta modalidade, o maior desafio é o tempo que a criança permanece em frente aos dispositivos eletrônicos. Para idades de 2 a 5 anos, deve-se respeitar um tempo máximo de tela de até uma hora por dia, segundo recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde). Por este motivo, é importante oferecer diferentes formatos, que podem ser acessados de acordo com o interesse e a disponibilidade da família, garantindo uma organização de rotina com foco no bem-estar do aluno.

Também é preciso abordar temas interessantes e com uma linguagem apropriada. Usar aplicativos e plataformas específicos para cada faixa etária auxilia nesse processo, assim como a parceria com os adultos, a família ou os cuidadores que as acompanham, em momentos coletivos virtuais, com o grupo todo, e também em turmas menores, com duração adequada ao tempo de concentração das crianças.

A riqueza das reflexões e um trabalho intencional do professor ao redor das reflexões trazidas pelas crianças são ações que vão contribuir com o processo de alfabetização. Se elas estiverem vivenciando situações significativas de uso da linguagem escrita, sendo engajadas nesse processo (como com a elaboração de uma lista de compras, a leitura de uma receita que será feita com a família e exposta a materiais letrados de qualidade), este período vai trazer bons frutos, que seguirão até os anos iniciais do Ensino Fundamental.

*Cristiana Tolosa, coordenadora da Educação Infantil da unidade de referência da Sphere International School em São José dos Campos

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