Alfabetização a distância

Alfabetização a distância

Claudia Benedetti e Rafaela Beleboni*

28 de março de 2021 | 07h30

Claudia Benedetti e Rafaela Beleboni. FOTOS: ARQUIVO PESSOAL

Poucos setores foram tão afetados pela pandemia quanto a educação. Com as escolas brasileiras funcionando remotamente durante praticamente todo o ano de 2020, observamos diferentes desafios de aprendizagem em estudantes de todas as séries.

Embora nenhum nível da educação básica tenha passado incólume pela pandemia, é consensual que um dos maiores prejuízos ficou com as séries iniciais do Ensino Fundamental, nas quais ocorre o processo de alfabetização. Isso aumenta a escala da crise. Quando notamos problemas graves de aprendizagem nos primeiros e segundos anos do Ensino Fundamental, o que está em risco é a própria capacidade de a criança ampliar seu repertório e sua aprendizagem. A alfabetização é a base do conhecimento escolar. Sem consolidar esse processo e sem ampliar o acesso do aluno ao mundo letrado, comprometemos seu futuro como estudante e, mais seriamente, como cidadão.

Diante desse cenário, o que fazer? Em primeiro lugar, é preciso reconhecer que muitas escolas passaram 2020 nutrindo a esperança de que 2021 traria a reabertura física das escolas, permitindo, assim, que as lacunas de aprendizagem criadas no ano passado fossem enfim sanadas. Isso ainda não se concretizou. Aliás, com o agravamento da pandemia, temos a perspectiva de mais alguns meses de escolas funcionando de forma híbrida (remotamente ou em sistema de rodízio de estudantes). Enquanto isso, vemos crianças chegando ao segundo ano do Ensino Fundamental com lacunas no processo de alfabetização resultantes deste contexto atípico. O momento requer ação, pois esse acúmulo de dificuldades põe em risco a aprendizagem de uma geração inteira de estudantes.

O uso de plataformas digitais de educação pode ajudar a vencer o desafio da alfabetização nas séries iniciais. Já existem portais, apps e demais ferramentas com atividades relacionadas à aprendizagem e à recuperação voltadas especificamente para os primeiros anos do Ensino Fundamental, permitindo a construção de uma trilha de aprendizagem clara, organizada por ordem de importância das habilidades que as crianças precisam dominar nas séries iniciais.

Uma das vantagens dessas ferramentas é a possibilidade de acompanhar objetivamente a evolução de cada estudante. Atividades diagnósticas, aplicadas em ambiente virtual, permitem identificar o que os alunos provavelmente dominam, quais são as suas principais dificuldades e, com isso, orientar os próximos passos. O processo de alfabetização, mesmo à distância, pode ser complementado e personalizado, obedecendo ao ritmo e às demandas de cada aluno.

O modelo também amplia as possibilidades de alfabetizar por meio de games. Existem centenas de jogos educativos que se adaptam às necessidades dos estudantes. Conforme a criança passa de fase, os professores recebem relatórios que poderão orientar, de forma individualizada, as atividades e jogos seguintes. Essa estratégia também convida à participação dos pais, que podem, de maneira lúdica, acompanhar a evolução da aprendizagem de seus filhos.

Iniciativas assim mostram que recursos digitais são poderosos aliados do processo de alfabetização, especialmente em meio à atual crise sanitária. Sem encarar esse problema de frente, a educação brasileira pode sofrer danos irreparáveis.

*Claudia Benedetti é gerente de produtos da Educação Infantil e Ensino Fundamental – Anos Iniciais na Plataforma AZ de Aprendizagem; Rafaela Beleboni é gerente de avaliações e indicadores de aprendizagem na Conexia Educação

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