Alexandre dá cinco dias para PGR dizer se aprova investigação sobre Carlos Bolsonaro na comitiva do presidente à Rússia

Alexandre dá cinco dias para PGR dizer se aprova investigação sobre Carlos Bolsonaro na comitiva do presidente à Rússia

Ministro analisou representação do senador Randolfe Rodrigues, que aponta país como 'origem dos principais ataques hackers'

Rayssa Motta

23 de fevereiro de 2022 | 17h26

PGR tem cinco dias para enviar parecer sobre abertura de investigação da presença de Carlos Bolsonaro na comitiva presidencial. Foto: Alan Santos/PR

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu cinco dias para a Procuradoria-Geral da República (PGR) dizer se vê elementos para investigar a presença do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e do assessor Tércio Arnaud na comitiva do presidente Jair Bolsonaro (PL) à Rússia. A viagem ocorreu entre os dias 14 e 16 de fevereiro.

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A ordem foi dada a partir de uma representação do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) no inquérito das milícias digitais, que se debruça sobre a atuação de grupos organizados na internet para promover desinformação e ataques contra a democracia.

Ao acionar o STF, a parlamentar afirmou que ‘os principais ataques hackers’ têm origem na Rússia e lembrou que Carlos Bolsonaro e Tércio Arnaud foram apontados na CPMI das Fake News como integrantes do chamado gabinete do ódio.

“Os planos do Presidente Jair Bolsonaro parecem cada vez mais claros, não sendo demais inquirir os reais interesses dessa agenda. Assim, fica o questionamento óbvio: qual a verdadeira razão para uma viagem à Rússia em momento internacional tão delicado, com uma comitiva sui generis, com ausência de ministros e a presença de numerosos integrantes de seu gabinete do ódio, e no início do ano eleitoral”, escreveu senador.

Ataques hackers

Novo presidente do Tribunal Superior eleitoral (TSE), o ministro Edson Fachin disse ao Estadão que a Justiça Eleitoral ‘já pode estar sob ataque de hackers’ e citou a Rússia como a origem da maior parte dessa ofensiva.

“A preocupação com o ciberespaço se avolumou imensamente nos últimos meses, e eu posso dizer a vocês que a Justiça Eleitoral já pode estar sob ataque de hackers, não apenas de atividades de criminosos, mas também de países, tal como a Rússia, que não têm legislação adequada de controle”, afirmou Fachin na entrevista.

A blindagem contra as investidas ao TSE é uma das bandeiras do ministro, que fica no cargo até agosto. Fachin tem dito que, apesar das tentativas de ataques estrangeiros, a Corte segue monitorando a segurança dos sistemas internos e as urnas eletrônicas não podem ser afetadas.

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