Alexandre dá cinco dias para Ministério da Justiça informar sobre processo de extradição de Allan dos Santos, foragido desde outubro

Alexandre dá cinco dias para Ministério da Justiça informar sobre processo de extradição de Allan dos Santos, foragido desde outubro

Blogueiro bolsonarista, que estaria vivendo nos EUA, é alvo dos inquéritos que investigam milícias digitais e fake news

Rayssa Motta

14 de março de 2022 | 18h31

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu cinco dias para o Ministério da Justiça prestar informações sobre o andamento do pedido de extradição do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos.

Documento

A ordem é para o secretário nacional de Justiça, Vicente Santini, detalhar as medidas adotadas para garantir o cumprimento do mandado de prisão preventiva expedido em outubro do ano passado contra o blogueiro. Dono do portal Terça Livre, Allan dos Santos foi colocado na lista de difusão vermelha da Interpol – sistema de alerta para captura de foragidos internacionais.

O blogueiro é investigado em duas apurações conexas: o inquérito das milícias digitais, que mira a atuação de grupos organizados na internet para promover ataques e desinformação; e o inquérito das fake news, que se debruça sobre ofensas, ameaças e notícias falsas contra autoridades.

Embora tenha sido bloqueado nas redes sociais por ordem judicial, o blogueiro tem criado perfis alternativos a cada vez que uma conta é derrubada. Em um deles, Allan dos Santos se disse vítima de ‘perseguição’ ao comentar nesta segunda a decisão de Moraes.

O blogueiro Allan dos Santos dá entrevista após operação da PF em sua casa, em Brasília. Foto: Gabriela Biló/Estadão

Interferência

O processo da extradição de Allan dos Santos foi atravessado por acusações de servidores do Ministério da Justiça, que relataram ter sofrido pressão interna para impedir que o blogueiro seja trazido de volta ao Brasil. A Polícia Federal apura se houve tentativa de interferência indevida no procedimento.

As suspeitas foram ampliadas depois que a delegada federal Silvia Amelia da Fonseca, responsável por enviar toda a documentação do caso ao Ministério de Relações Exteriores, foi exonerada do cargo de diretora do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI). A medida foi vista internamente como uma represália por ter dado andamento ao procedimento.

O secretário de Justiça chegou a ser ouvido pela PF e, em depoimento, disse que solicitou informações sobre o processo com o objetivo de ‘dar cumprimento à decisão judicial’. Ele negou ter tentado interferir no caso.

Allan dos Santos estaria vivendo nos Estados Unidos desde 2020, quando investigações da Polícia Federal começaram a fechar o cerco contra apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL). O ministro das Comunicações, Fábio Faria, participou de um evento em Orlando ao lado do blogueiro, quando ele já era considerado foragido.

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