Alexandre manda PF ouvir mais 14 sobre vídeo em que Roberto Jefferson diz que vai ‘orar em desfavor de Xandão’

Alexandre manda PF ouvir mais 14 sobre vídeo em que Roberto Jefferson diz que vai ‘orar em desfavor de Xandão’

Decisão do ministro do Supremo fecha o cerco a responsáveis por gravação do ex-presidente do PTB em um hospital no Rio; entre os que irão depor no inquérito das milícias digitais estão cinco visitantes que aliado de Bolsonaro recebeu, além de sua mulher, enfermeiras e integrantes de vigilância privada

Pepita Ortega

14 de janeiro de 2022 | 12h57

O ex-deputado Roberto Jefferson. FOTO: TWITTER/REPRODUÇÃO

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, atendeu requerimento da Procuradoria-Geral da República e determinou que a Polícia Federal colha os depoimentos de 14 pessoas que tiveram contato com o ex-deputado Roberto Jefferson no dia em que ele gravou vídeo em que afirma ‘orar em desfavor do Xandão’. Na ocasião, o ex-presidente do PTB estava no Hospital Samaritano Barra, onde passou por um cateterismo. Depois foi transferido de volta à Bangu, onde preso preventivamente por ordem dada no âmbito do inquérito das milícias digitais.

Em despacho publicado nesta sexta-feira, 14, o ministro registrou que, conforme indicado pelo Ministério Público Federal, a oitiva das pessoas que tiveram contato com Jefferson nos dias 13 e 14 de outubro (data em que teria sido gravado o vídeo) é ‘indispensável’ para possibilitar a identificação do responsável pela divulgação da gravação.

Entre as pessoas que serão ouvidas pela PF – em até 15 dias, segundo o despacho de Alexandre – estão cinco visitantes do ex-presidente do PTB, sua mulher, além de três enfermeiras, duas técnicas e três integrantes da vigilância privada. Os nomes foram listados pela PGR e remetidos ao Supremo Tribunal Federal no último dia 7, em petição assinada pela subprocuradora-geral da República Lindôra Maria Araújo.

Documento

A relação de nomes foi elaborada com base nas informações prestadas pelo Hospital Samaritano Barra, após ordem expedida por Alexandre em outubro de 2020. Em resposta, o diretor do Hospital onde Jefferson ficou internado apresentou 136 registros de entrada de visitantes ao ex-presidente do PTB, durante o período de internação.

No vídeo gravado pelo ex-deputado – divulgado pelo portal Metrópoles – Jefferson afirma ‘orar em desfavor do Xandão’, apelido que usa para se referir a Alexandre de Moraes, e diz que ‘Xandão não tem misericórdia de ninguém’, enquanto lê trechos da Bíblia. Ele finaliza o vídeo dizendo que ‘a tirania se esmaga bem’.

Dias após a divulgação do vídeo, o ex-presidente do PTB foi enviado de volta ao presídio, mas a defesa segue insistindo para que o ex-deputado seja colocado em liberdade. Em dezembro, Alexandre negou mais uma vez o pedido apontando que a prisão continua ‘necessária e imprescindível’ para o andamento das investigações.

Em um movimento mais recente, a defesa pediu uma nova transferência de Jefferson a um hospital particular, agora em razão de sintomas respiratórios. No último dia 11, o ministro Alexandre de Moraes determinou que o diretor do Complexo Penitenciário de Bangu informe se o hospital interno tem estrutura para oferecer exames solicitados pela defesa do petebista.

Sob suspeita de usar a estrutura da sigla e recursos do fundo partidário para disparar notícias falsas e atacar instituições democráticas nas redes sociais, Jefferson é investigado no inquérito das milícias digitais, que se debruça sobre a atuação de grupos bolsonaristas na internet. A suspeita é que apoiadores do presidente tenham se organizado para investir contra a democracia. A apuração também investiga se a articulação recebeu dinheiro público.

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