Alexandre manda investigar vice-líder do governo Bolsonaro na Câmara por racismo no Twitter

Alexandre manda investigar vice-líder do governo Bolsonaro na Câmara por racismo no Twitter

Deputado José Medeiros chamou usuária de 'mulamba'; inquérito foi aberto a pedido da PGR, que viu 'conduta discriminatória e preconceituosa' contra a comunidade negra

Rayssa Motta

18 de novembro de 2021 | 18h24

O deputado José Medeiros, que agora será investigado por racismo, posa ao lado do presidente Jair Bolsonaro e do ministro da Infraestrutura Tarcísio Freitas. Foto: Reprodução/Instagram

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira, 18, a abertura de um inquérito para apurar se o deputado federal José Medeiros (Podemos-MT), vice-líder do governo Jair Bolsonaro na Câmara, cometeu crime de racismo em comentário no Twitter.

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A decisão atendeu a um requerimento da Procuradoria-Geral da República (PGR), que acionou o tribunal pedindo autorização para instaurar a investigação. Moraes também determinou que o parlamentar seja ouvido dentro de dez dias e que a rede social seja notificada a manter registro da publicação.

O comentário do deputado foi feito em fevereiro, quando a classe política se movimentava para abrir a CPI da Covid. Na ocasião, uma usuária defendeu a instalação da comissão parlamentar e o impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

“Mulamba… vai atrás de voto, na faixa não vai levar não”, respondeu o deputado. O comentário causou reação dos próprios usuários, que acusaram o parlamentar de racismo e se mobilizaram pedindo que ele fosse denunciado pelo crime. Em nota, Medeiros afirma que a fala não tem ‘conotação racial’.

Vice-líder do governo na Câmara, deputado José Medeiros chamou usuária de ‘mulamba’. Foto: Reprodução/Twitter

A PGR classificou a conduta do deputado como ‘discriminatória e preconceituosa contra a comunidade negra’. O parecer enviado ao STF lembra que a expressão ‘mulamba’ remonta ao período da escravidão. “No cenário fático apresentado, verifica-se que a conduta praticada pelo deputado não estaria contida nos limites da liberdade de manifestação do pensamento, a qual não é revestida de caráter absoluto nem ilimitado”, diz um trecho da manifestação enviada ao tribunal.

COM A PALAVRA, O DEPUTADO

“O deputado federal José Medeiros afirma que não teve acesso aos autos e não foi notificado. No entanto, esclarece que a resposta em sua rede social estava em um contexto de discussão política com o deputado Orlando Silva, tanto que o foco central é a necessidade de votos para a reeleição.

A expressão “mulamba” usada se referia no sentido figurado, a pessoa indecisa, que titubeia, sem determinação e firmeza de caráter. No caso, uma pessoa que chama, sem provas, um presidente da República de assassino.

De origem nordestina, Medeiros vive há mais de 40 anos em Mato Grosso e nas duas regiões a expressão mulambo (a) não tem conotação racial. Por fim, o parlamentar repudia qualquer tipo de discriminação e a tentativa de setores da esquerda de representar judicialmente contra parlamentares da base de apoio do presidente Bolsonaro.”

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