Alexandre de Moraes nega habeas a Zarattini contra inquérito

Alexandre de Moraes nega habeas a Zarattini contra inquérito

Ministro do Supremo Tribunal Federal julgou inviável pedido da defesa do deputado petista que alegou 'não haver qualquer conexão entre o Inquérito 4425, em que é investigado, e os procedimentos que integram a Operação Lava Jato'

Luiz Vassallo e Julia Affonso

12 de maio de 2017 | 04h40

Alexandre de Moraes. Foto: Carlos Moura/SCO/STF


O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, negou seguimento – julgou inviável – ao habeas corpus 143599, no qual a defesa do deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) questionava a decisão do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato na Corte e que autorizou a abertura de procedimento investigatório contra o parlamentar.

As informações foram divulgadas no site do Supremo nesta quinta-feira, 11.
No habeas, os advogados de Zarattini alegaram ‘não haver qualquer conexão entre o Inquérito (INQ) 4425, em que é investigado, e os procedimentos que integram a Operação Lava Jato’. Assim, segundo o entendimento da defesa do petista, Fachin ‘não teria competência para autorizar a investigação e, em razão disso, sua decisão deveria ser anulada e o inquérito redistribuído’.

A defesa pedia a concessão do habeas corpus para reformar a decisão monocrática ou para arquivar o inquérito, sob o fundamento de que ‘não há justa causa para sua continuidade e por ter como objeto conduta manifestamente atípica’ – que corresponderia à mera existência de doações políticas ou à sua atuação parlamentar.

Decisão. O relator do habeas esclareceu que o Supremo firmou o entendimento de que não é cabível habeas corpus contra decisão de ministro ou de órgão colegiado do Tribunal, inclusive quando proferida no âmbito de procedimentos penais de competência originária do Supremo.

Segundo Alexandre de Moraes, aplica-se ao caso, por analogia, a Súmula 606 do STF, conforme diversos precedentes nesse sentido.

Em relação ao pedido de redistribuição do inquérito, o ministro destacou a inadequação do habeas corpus para questionar ato que não se qualifique como ameaça ou restrição ao direito fundamental de liberdade.

O ministro lembrou que artigo 654 do Código de Processo Penal prevê que a petição do HC deve apontar a espécie de constrangimento ilegal ao direito de locomoção, ou, em caso de simples ameaça de coação, as razões em que se funda o seu temor.

“No presente caso, a controvérsia a respeito da redistribuição do procedimento investigatório não acarreta, à evidência, prejuízo ao direito de ir e vir do paciente, sobretudo se considerado que o exame do inquérito é, em última análise, do Supremo Tribunal Federal.”

A reportagem não localizou a defesa do deputado na noite desta quinta-feira, 11. O espaço está aberto para sua manifestação.

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