Alexandre viu indícios de favorecimento pessoal ao bloquear contas da mulher da Daniel Silveira

Alexandre viu indícios de favorecimento pessoal ao bloquear contas da mulher da Daniel Silveira

Ministro do STF determinou que advogada Paola da Silva Daniel seja ouvida pela Polícia Federal; defesa diz que bloqueio é indevido e viola prerrogativas profissionais

Rayssa Motta

08 de junho de 2022 | 20h27

Defesa diz que bloqueio de contas da mulher dele é indevido. Foto: Reprodução/Instagram

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), viu indícios do crime de favorecimento pessoal ao mandar bloquear as contas da advogada Paola da Silva Daniel, que é mulher do deputado bolsonarista Daniel Silveira (PTB-RJ).

O parlamentar acumula sucessivas multas por descumprir medidas cautelares impostas no processo em que foi condenado por ataques contra a democracia. Os valores chegam a R$ 645 mil. O STF chegou a mandar bloquear as contas do deputado para garantir o pagamento. Antes que a ordem fosse cumprida pelos bancos, Daniel Silveira transferiu R$ 100 mil para a mulher. Moraes determinou que ela seja ouvida pela Polícia Federal (PF) para que “esclareça as circunstâncias” da transferência.

Em manifestação enviada ao gabinete do ministro nesta quarta-feira, 8, a defesa do deputado pede o desbloqueio das contas de Paola. O principal argumento é que ela também é advogada no processo e que o congelamento das contas bancárias seria uma violação às prerrogativas profissionais.

O pedido diz ainda que, como mulher de Daniel Silveira, ela é “proprietária de parte dos bens”. “Razão pela qual é absolutamente lícita a transferência realizada, por ser transação entre cônjuges que partilham a vida e o patrimônio”, afirmam.

Daniel Silveira foi condenado a oito ano e nove meses de prisão por atacar ministros do STF e defender a ditadura militar. O presidente Jair Bolsonaro (PL) editou um decreto para perdoar a pena, mas é provável que o deputado fiquei inelegível. A candidatura de Paola tem sido ventilada pelo PTB como uma estratégia para tentar manter o espólio do marido na Câmara.

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