Alexandre autoriza compartilhamento de provas sobre vazamento de investigação por Bolsonaro com inquérito das milícias digitais

Alexandre autoriza compartilhamento de provas sobre vazamento de investigação por Bolsonaro com inquérito das milícias digitais

Ministro do Supremo Tribunal Federal atendeu a pedido da delegada responsável pelas investigações, que apontou 'correlação' entre as duas apurações

Rayssa Motta

08 de fevereiro de 2022 | 16h37

Alexandre de Moraes viu ‘pertinência’ no pedido da PF e autorizou compartilhamento de provas entre investigações. Foto: Nelson Jr./SCO/STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta terça-feira, 8, o compartilhamento de provas do inquérito sobre o vazamento de uma investigação sigilosa da Polícia Federal pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) com a apuração que mira a atuação de uma milícia digital contra a democracia.

A decisão atendeu a um pedido da delegada federal Denisse Ribeiro Dias Rosas, responsável pelas duas investigações. Na avaliação do ministro, as semelhanças encontradas até o momento justificam o intercâmbio do material.

“Verifico a pertinência do requerimento da autoridade policial, notadamente em razão da identidade de agentes investigados nestes autos e da semelhança do modus operandi das condutas aqui analisadas com as apuradas nos Inquéritos 4.874/DF e 4.888/DF, ambos de minha relatoria”, escreveu.

No primeiro inquérito, sobre o vazamento de uma investigação sigilosa da PF a respeito de uma tentativa de ataque aos sistemas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a PF concluiu que Bolsonaro cometeu crime ao divulgar o conteúdo nas redes sociais. O material foi usado para defender a chamada PEC do Voto Impresso e colocar sob suspeita a segurança das urnas eletrônicas, embora a Polícia Federal tenha concluído que não houve fraudes eleitorais. Apesar de ter imputado crime ao presidente, não houve indiciamento em razão do foro privilegiado.

No relatório final da investigação, a delegada Denisse Ribeiro Dias Rosas relaciona a atuação do presidente ao inquérito das milícias digitais. “O modo de agir é correlato”, escreveu ao pedir o compartilhamento do material.

A investigação das milícias digitais é derivada do inquérito dos atos antidemocráticos. Foi no âmbito dela que Moraes autorizou a prisão do ex-deputado Roberto Jefferson.

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