Alexandre atende PGR e dá cinco dias para Planalto explicar Carlos Bolsonaro na comitiva à Rússia

Alexandre atende PGR e dá cinco dias para Planalto explicar Carlos Bolsonaro na comitiva à Rússia

Ministro quer informações sobre gastos e agenda do filho do presidente; Câmara de Vereadores do Rio também foi notificada a informar se recebeu pedido de licença

Rayssa Motta

04 de março de 2022 | 18h46

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu ao pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e deu cinco dias para o Planalto explicar a presença do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) na comitiva presidencial que esteve na Rússia no mês passado.

Em despacho nesta sexta-feira, 4, o ministro determina que a Presidência da República informe as ‘condições oficiais de participação’ do filho do presidente Jair Bolsonaro (PL) na viagem, incluindo gastos, eventuais diárias pagas e a agenda cumprida.

Moraes também notificou a Câmara Municipal do Rio a informar se Carlos pediu licença para viajar.

Cobrada a dizer se vê ou não elementos para abrir uma investigação sobre a viagem, a PGR pediu para ouvir o Planalto antes de apresentar seu parecer. Em manifestação preliminar, no entanto, a subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo sinalizou que não encontrou indícios de crime para instaurar um inquérito.

Carlos Bolsonaro participa de reunião na Rússia ao lado do pai.
Foto: Alan Santos/PR

O pedido de investigação foi feito pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) no inquérito das milícias digitais, que se debruça sobre a atuação de grupos organizados na internet para promover desinformação e ataques contra a democracia.

Ao acionar o STF, o senador afirmou que ‘os principais ataques hackers’ têm origem na Rússia. Também lembrou que Carlos Bolsonaro e Tércio Arnaud foram apontados na CPMI das Fake News como integrantes do chamado gabinete do ódio – estrutura que agiria de dentro do Planalto para patrocinar investidas contra opositores do governo nas redes sociais.

Na avaliação a subprocuradora, no entanto, não há ‘elementos mínimos indiciários de qualquer prática delitiva’ que justifiquem uma apuração.

Lindôra também chegou a sugerir a redistribuição da representação. O pedido foi enviado direto ao gabinete de Moraes, relator do inquérito das milícias digitais e de outras investigações incômodas ao Planalto, que negou o pedido da subprocuradora para transferir o caso.

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