Alexandre abre novo inquérito sobre lavagem de dinheiro em fazendas da família de Geddel

Alexandre abre novo inquérito sobre lavagem de dinheiro em fazendas da família de Geddel

Ministro do Supremo ordena investigação a partir da apreensão de documentos que indicam suposta compra e venda simulada de gado do ex-ministro, seu irmão e deputado Lúcio, a mãe Marluce e o outro irmão, Afrísio

Amanda Pupo e Rafael Moraes Moura/BRASÍLIA

01 Outubro 2018 | 21h06

Geddel Vieira Lima deixa o IML em Brasília nesta sexta-feira, 8. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

BRASÍLIA – O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de novo inquérito para investigar supostos ciclos de lavagem de dinheiro pela locação de maquinário agrícola às fazendas da família Vieira Lima, do ex-ministro Geddel Vieira Lima. O inquérito, instaurado a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), também deve apurar compra e venda simulada de gado.

A PGR pediu a apuração dentro de inquérito que investiga suspeitas envolvendo Geddel, o irmão e deputado federal Lúcio Vieira Lima (MDB-BA), a mãe Marluce Vieira Lima e o outro irmão, Afrísio Quadros Vieira Lima.

Segundo a procuradoria, merece ser aprofundada a investigação que envolve a suposta compra e venda simulada de gado, “técnica de lavagem que consiste na simulação de crias para posterior simulação de venda, o que daria ensejo à justificativa ilícita de dinheiro de origem delituosa”.

“Documentos apreendidos indicam rebanho de 9.296 animais (fls. 2186 e 2187). Porém, documentos emitidos pela Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia indicam 11.855 animais (fl. 2193). Tal diferença (2.549 animais ou 27,53%), considerado o preço da arroba na região, conforme levantamentos pela Polícia Federal, permitiria a lavagem de R$ 6.515.244,00 (seis milhões, quinhentos e quinze mil, duzentos e quarenta e quatro reais)”, descreve a procuradoria.

A PGR também cita a locação de maquinário agrícola às fazendas, afirmando que existiam recibos de valores milionários por empresa  “sem aparente estrutura para locar equipamentos para as doze fazendas da família”. 

O novo inquérito para apurar tal prática foi pedido dentro de investigação que apura eventual prática de peculato, ou seja, se a família se apropriou de remuneração de secretários parlamentares. Nesse caso, Moraes concedeu mais 45 dias para a continuidade das apurações.

A reportagem entrou em contato com a defesa da família Vieira Lima, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.