Alerta para as pessoas com 60+: máscara, álcool em gel e uma rotina de exercícios físicos e dieta saudável!

Alerta para as pessoas com 60+: máscara, álcool em gel e uma rotina de exercícios físicos e dieta saudável!

Ricardo Fuller*

01 de março de 2021 | 15h20

Ricardo Fuller. FOTO: DIVULGAÇÃO

As pessoas acima de 60 anos formam um dos principais grupos de risco para Covid-19 e é esse grupo que também apresenta maior prevalência de osteoartrite ou artrose, como é conhecida popularmente a doença reumática mais frequente do ser humano e que pode levar à incapacidade física. Os principais tratamentos para os pacientes de artrose são justamente manter rotina de exercícios físicos, adesão à fisioterapia e evitar sobrepeso e obesidade – três fatores impactados negativamente pela mais do que justificada necessidade de isolamento nesse último um ano e ainda sem previsão de fim.

Para os pacientes com artrose, a rotina de distância mínima de 1,5 m, o uso de máscara e a limpeza frequente das mãos deve incluir também a continuidade de exercícios físicos (que podem ser realizados em casa) e uma alimentação saudável para manter o peso dentro da faixa adequada.

Mas o que é artrose, essa doença que acomete cerca de 1 em cada 5 pessoas acima dos 60 anos, mas pode se iniciar bem antes dessa faixa de idade? Segundo dados do INSS, a artrose é responsável por mais de 25% das aposentadorias por invalidez e 7% das causas de afastamento do trabalho.

A doença é resultado da deterioração da cartilagem, um tecido excepcionalmente especializado e resistente que recobre as extremidades dos ossos nas articulações. No início, ocorrem fissuras e erosões apenas na sua superfície, tornando-a irregular; com a progressão, a cartilagem fica mais fina – daí o termo “desgaste” ser frequentemente utilizado para explicar esta ocorrência. Esse processo é lento e o paciente pode levar meses, ou mesmo anos, até se dar conta que está com dor ou perdendo a mobilidade e flexibilidade. Além da influência da sobrecarga no desenvolvimento da doença, existe também a predisposição genética, principalmente nos pacientes com artrose de mãos.

A artrose pode ocorrer em qualquer articulação, mas é mais frequente nas mãos, coluna, joelhos e quadris. O principal sintoma é a dor e a dificuldade ou sensação de enrijecimento no início de um movimento, como por exemplo ao levantar-se de uma cadeira. Dor que se irradia pelos glúteos, coxa e perna são sinais de alerta quando a doença já está instalada. Um aspecto característico é a melhora desses sintomas ao repouso, diferentemente do que acontece num outro grupo de doenças conhecidas como artrite. Nas mãos, é comum a dor na base do polegar e o aumento do tamanho das articulações dos dedos.

A presença e gravidade da artrose podem ser verificadas por exames de imagem. Os mais utilizados são o raio-X, que mostra alterações nos ossos, e a ressonância magnética, que pode fornecer informações mais detalhadas dos tecidos moles atingidos pela artrose como cartilagem, ligamentos, meniscos, músculos, e é capaz de detectar acúmulo de líquido dentro da articulação e dos ossos nos casos mais avançados.

Quando a artrose já está instalada, o primeiro passo é identificar e corrigir todos os fatores que podem estar provocando ou agravando a doença. Caso seja a obesidade, a pessoa deve voltar a atenção para a perda de peso. Se for musculatura fraca, deve fazer exercícios de fortalecimento muscular ou musculação. Nesse caso, é importante que a orientação seja feita por profissionais da saúde para evitar lesões. Também é muito importante a proteção articular, que vem a ser a identificação e correção de todos os fatores – posições e atividades que possam estar sobrecarregando a articulação. Isso inclui também o uso de calçados adequados para promover um melhor amortecimento e menor impacto sobre as articulações dos membros inferiores.

O paciente deve saber que essas medidas são mais importantes até que o uso de medicamentos, pois agem na origem do problema. Apesar dos sinais aparecerem a partir dos 50 anos, a prevenção pode se iniciar bem antes, com as mesmas medidas acima, principalmente no que diz respeito à prática de exercícios e cuidados com o peso.

Para o controle da dor e inflamação podem ser usados medicamentos anti-inflamatórios, analgésicos e relaxantes musculares que devem ser ministrados por curto período devido a efeitos colaterais, principalmente em pessoas mais idosas. A automedicação deve ser evitada pois, além dos efeitos colaterais, pode mascarar a progressão da doença. Outra opção são as infiltrações (injeções feitas dentro da articulação) que também podem diminuir a inflamação e a dor.

Existem ainda medicamentos chamados de antiartrósicos, que podem ajudar em alguns casos, mas seu uso ainda é controverso na literatura médica. A aplicação de meios físicos como calor, bolsa de gelo, ultrassom, laser e acupuntura pode trazer alívio da dor e rigidez. A cirurgia está indicada nos casos mais avançados e com pouca resposta ao tratamento clínico. Uma das mais utilizadas é a artroplastia, isto é, a colocação de uma prótese que substitui a articulação.

Sem tratamento, a artrose pode levar à incapacidade física, pois é progressiva e crônica. Portanto, movimente-se! Isso é fundamental para a saúde das articulações.

*Ricardo Fuller é coordenador da Comissão de Osteoartrite da Sociedade Brasileira de Reumatologia e médico Responsável pela Unidade de Osteoartrite do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

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