Alerj exonera ex-advogado de Flávio que, segundo o MP do Rio, ajudou a fraudar ponto de assessora ‘fantasma’

Alerj exonera ex-advogado de Flávio que, segundo o MP do Rio, ajudou a fraudar ponto de assessora ‘fantasma’

Luis Gustavo Botto Maia foi alvo de busca e apreensão na semana passada; ele também teria participado do esquema de proteção a Fabrício Queiroz

Caio Sartori/RIO

23 de junho de 2020 | 09h54

Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) Foto: Zô Guimarães/Alerj/Divulgação

A Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) publicou no Diário Oficial desta terça-feira, 23, a exoneração de Luis Gustavo Botto Maia, ex-advogado do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). Empregado até então no gabinete do deputado Renato Zaca (sem partido), o advogado é investigado pelo Ministério Público do Rio no caso das rachadinhas.

No Legislativo fluminense, ele teria atuado para fraudar o ponto de uma ex-assessora ‘fantasma’ de Flávio quando o ’01’ era deputado estadual. Além disso, é apontado como peça-chave nas investigações sobre a proteção dada a Fabrício Queiroz em Atibaia, São Paulo, enquanto ele esteve desaparecido.

Ao rastrear os passos da assessora Luiza Souza Paes por meio de seu celular, o MP identificou que ela só compareceu ao Palácio Tiradentes em três ocasiões – e apenas para assinar o ponto. Dentro do período ao qual os investigadores tiveram acesso aos dados, entre 2014 e 2017, ela esteve nomeada por 792 dias.

O caso de Luiza ajuda a ilustrar o que a Promotoria afirma ser um amplo esquema de funcionários fantasmas empregados no antigo gabinete do filho do presidente Jair Bolsonaro. Esses servidores repassariam o dinheiro de seus salários por meio da rachadinha – o que configura peculato e, consequentemente, impulsionaria a lavagem de dinheiro e a formação de uma organização criminosa.

O rastreamento dos passos de Luiza foi possível graças à quebra de sigilo telefônico, que permitiu o monitoramento de alguns investigados pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (GAECC). O raio considerado para avaliar se ela esteve ou não na Alerj foi de 750 metros.

Por meio das mensagens entre Luiza e o pai, a investigação também aponta que ela combinou com o servidor da Alerj Matheus Azeredo Coutinho, que trabalha no Departamento de Pessoal, de assinar o ponto retroativo no dia 24 de janeiro de 2019. Com orientações de Queiroz, o contato se deu por intermédio de Botto Maia e pela assessora Alessandra Esteves Marins, funcionária de Flávio Bolsonaro.

Coutinho também foi exonerado nesta semana. Alessandra, por sua vez, é hoje funcionária do escritório de apoio do senador Flávio no Rio.

Em nota, o deputado Renato Zaca disse que conheceu Botto Maia na liderança do PSL na Alerj e que o convidou em abril deste ano, quando ele saiu da chefia do gabinete, para trabalhar na assessoria jurídica e parlamentar de seu gabinete pessoal. “Mas, diante dos fatos apresentados recentemente, considerei melhor exonerá-lo”, afirmou o parlamentar.

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