Alan García, suicídio e propinas da Odebrecht na imprensa internacional

Alan García, suicídio e propinas da Odebrecht na imprensa internacional

O ex-presidente do Peru se matou com um tiro na cabeça quando policiais chegaram à sua residência para prendê-lo nesta quarta, 17, em caso de corrupção que envolve a empreiteira brasileira

Pepita Ortega

17 de abril de 2019 | 16h09

O suicídio do ex-presidente do Peru Alan García nesta quarta-feira, 17, repercutiu em grandes jornais internacionais, em meio ao noticiário das propinas da Odebrecht. García se matou com um tiro na cabeça quando policiais chegaram em sua residência para prendê-lo em um caso de corrupção envolvendo a empreiteira brasileira.

The New York Times destacou a ligação de García com ‘um dos maiores escândalos da história da América Latina’.

O jornal americano citou que a Odebrecht admitiu pagamentos de US$ 800 milhões em troca de ‘contratos lucrativos’, incluindo estradas, pontes e represas no Peru.

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A britânica BBC diz que García negou, repetidamente, ter recebido as propinas da Odebrecht. O veículo também coloca que o ex-predidente teria recebido as vantagens durante sua segunda passagem pela presidência e que elas estariam ligadas a um projeto de construção de linha de Metrô na capital.

Segundo a BBC, o ex-presidente dizia ser ‘vítima de perseguição política’, e na terça-feira, 16, escreveu no Twitter que não havia pistas nem evidências contra ele.

O espanhol El País apontou que a ordem de prisão preventiva de 10 dias contra García foi emitida por um juiz a pedido de uma equipe especial da Procuradoria para o caso Lava Jato.

O jornal diz ainda que o antigo superintendente da Odebrecht no Peru, Jorge Barata, será interrogado na próxima semana. Alguns fiscais que ficaram conhecidos por investigar os políticos, viajaram para São Paulo e Curitiba para fazer pesquisas e mantém contato com os investigadores brasileiros.

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O francês Le Monde destacou que a Odebrecht admitiu ter pago U$ 29 milhões em subornos no Peru entre 2005 e 2014, e lembrou que os últimos quatro chefes de estado do país estão na mira da Justiça – Alejandro Toledo (2001-2006), Alan Garcia (2006-2011), Ollanta Humala (2011-2016) e Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018).

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