Ajuda para quem quer ajudar

Ajuda para quem quer ajudar

Filipe Sabará*

17 de outubro de 2019 | 10h12

Filipe Sabará. Foto: Divulgação / Assessoria de Imprensa

Muita gente diz que possui vontade de ajudar instituições e causas, mas por falta de informações, não sabe como.

O título deste artigo é uma resposta a algo que tenho escutado há mais de 20 anos, desde que, aos 13 anos de idade, comecei a fazer ações sociais nas ruas de São Paulo: — “quero ajudar, mas não sei como”.

A última pesquisa “Doação Brasil” divulgada pelo Instituto Pelo Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS- 2015/2016), que aborda a questão da Filantropia no país, aponta, por exemplo, que a sociedade civil organizada diz acreditar ser a principal responsável pela solução dos problemas sociais e ambientais dos locais onde vivem. Segundo o estudo, cerca de dois terços da população ou 66% dos entrevistados concordam com o fato de que doar faz uma grande diferença na sociedade para quem recebe e, principalmente, para quem doa.

No entanto, há um dado relevante a se considerar no levantamento quando se faz referência à contribuição impulsiva, mediante abordagens solicitando doações: apenas 6% dos doadores aceitam ajudar de forma imediata. Uma avaliação sobre este número específico mostra que o brasileiro doa, sim, mas diante de suas possibilidades de localização, tempo, dinheiro e, principalmente, de identificação com determinadas causas sociais.

Outra pesquisa, a World Giving Index (índice global de doações), que divulga o ranking dos países que possuem populações mais doadoras, mostra que o Brasil representa um péssimo resultado e segue um padrão de queda nos últimos anos. Em 2015 o país experienciou um pico, atingindo a 68ª posição, caiu para 75ª em 2016 e chegou a 122ª em 2017, ficando atrás até mesmo da Venezuela, que alcançou o 107º lugar. O resultado se explica pela queda nas três seguintes respostas: 43% dos entrevistados ajudaram um desconhecido (contra 54% em 2016), 14% doaram dinheiro (21% em 2016) e 13% fizeram trabalho voluntário (20% em 2016), totalizando uma média de 23%.

Com esses dados em mãos, aliados à minha experiência como agente público, há anos venho trabalhando com especialistas na área do serviço social, voluntariado, filantropia e principalmente na área de desenvolvimento tecnológico, na busca por uma solução prática que facilite a cultura de doação e engaje mais a sociedade em que vivemos.

O resultado se materializa hoje com o lançamento que estamos fazendo pelo Fundo Social de São Paulo: a plataforma digital “São Paulo Mais Humana”, que em formato de aplicativo, conecta pessoas e empresas a entidades beneficentes de forma simples, rápida e eficaz. Uma espécie de UBER da doação e do voluntariado.

O aplicativo localiza usuários por meio de uma ferramenta de geolocalização e com apenas três cliques a pessoa interessada em doar ou voluntariar escolhe sua causa e a plataforma encontra ONGs relacionadas com ela no seu entorno; depois o usuário escolhe como quer ajudar, se com tempo voluntário, materiais (ex: alimentos, roupas ou móveis), oferta de vagas de emprego ou doação de recursos financeiros. A partir daí a conexão com a entidade social é feita e uma relação entre as partes é iniciada com apoio tanto na capacitação do voluntário, quanto na qualificação da entidade social para que esteja apta para receber ajuda.

“São Paulo Mais Humana” (saopaulomaishumana.sp.gov.br) conecta quem precisa de ajuda com quem quer ajudar.

* Filipe Sabará é Presidente Executivo do Fundo Social de São Paulo, órgão do Governo do Estado. 

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