Águas Claras rastreia US$ 50 mil da premiação de atletas que grupo desviou

Águas Claras rastreia US$ 50 mil da premiação de atletas que grupo desviou

Dirigentes da CBDA são presos em operação da Procuradoria da República e da Polícia Federal que apura desvio milionário de verbas federais

Julia Affonso e Fausto Macedo

06 de abril de 2017 | 10h57

Coaracy Nunes. Foto: Satiro Sodré/SS Press

Coaracy Nunes. Foto: Satiro Sodré/SS Press

A Operação Águas Claras, que prendeu o presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Coaracy Nunes, nesta quinta-feira, 6, investiga
suposta apropriação por parte dos dirigentes da entidade de premiação de US$ 50 mil que deveriam ter sido repassados a atletas.

A ação apura também se uma agência de turismo vendeu passagens aéreas e hospedagens para os atletas com preços superfaturados. Segundo o Ministério Público Federal, as contratações irregulares eram feitas com verbas federais obtidas através de convênios com o Ministério dos Esportes.

A Operação Águas Claras apura o desvio de recursos públicos federais por dirigentes da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos. Três envolvidos já foram presos e um está foragido. Quatro empresários que participaram de licitações com indícios de irregularidades foram conduzidos coercitivamente a unidades da PF em São Paulo e no Rio de Janeiro. Outros 16 mandados de busca e apreensão também foram cumpridos. Todas as medidas foram expedidas pela 3ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

As investigações apuram o destino de cerca de R$ 40 milhões repassados à CBDA, que não teriam sido devidamente aplicados nos esportes aquáticos. Entre as fraudes, estão licitações para aquisição de equipamentos de natação no valor aproximado de R$ 1,5 milhão. Há indícios de que a empresa vencedora seja apenas de fachada, pois em seu endereço na capital paulista há uma Pet Shop.

Além disso, estima-se que cerca de R$ 5 milhões, provenientes do Ministério dos Esportes, deixaram de ser aplicados na modalidade polo aquático. Em nota, a Ptocuradoria da República afirma que embora a CBDA tenha recebido esta verba federal para aplicação nos torneios nacionais e internacionais, seus dirigentes não autorizaram a ida da seleção de Polo Aquático Júnior, campeã sul-americana e panamericana, para o Mundial do Cazaquistão, sob o argumento da falta de recursos financeiros.

Na esfera cível, o Ministério Público Federal já ofereceu duas ações de improbidade administrativa contra o presidente da Confederação, Coaracy Gentil Monteiro Nunes Filho, outros dirigentes e empresários pelas fraudes em licitações para a aquisição de itens esportivos. A Operação Águas Claras está sendo conduzida pela Polícia Federal e pelos Procuradores da República do Núcleo de Combate à Corrupção em São Paulo Thaméa Danelon, José Roberto Pimenta Oliveira e Anamara Osório Silva, com a participação da Controladoria-Geral da União.

COM A PALAVRA, A CONFEDERAÇÃO DE DESPORTOS AQUÁTICOS

A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos-CBDA segue com suas atividades esportivas programadas para o período. Enquanto a presidência da entidade se encontra vaga, a 25ª vara civil do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro nomeou o advogado e contador, Dr. Gustavo Licks, como administrador provisório. Desta forma, vimos informar à comunidade dos esportes geridos pela CBDA – natação, polo aquático, nado sincronizado, saltos ornamentais e maratonas aquáticas – que as ações imediatas programadas em seu calendário não serão interrompidas.

O principal evento do mês, o Campeonato Sul-Americano Juvenil/Junior, a ser realizado na Colômbia, envolvendo todas as modalidades aquáticas, está confirmado e com todos os procedimentos sendo tomados para este fim. O corpo técnico e administrativo da entidade esteve reunido durante o dia de hoje, 6/04, com o administrador para traçar uma rotina de trabalho que garanta o funcionamento da Confederação.

A administração da CBDA forneceu todas as informações e documentos solicitados pelas autoridades policiais e aguarda mais instruções do departamento jurídico.

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