Águas Claras acha pet shop no endereço de empresa que levou licitação da CBDA

Águas Claras acha pet shop no endereço de empresa que levou licitação da CBDA

Procuradoria da República suspeita que empresa vencedora, de São Paulo, seja apenas de fachada

Julia Affonso e Fausto Macedo

06 de abril de 2017 | 11h10

Edifício do MPF em São Paulo. Foto: PRSP

Edifício do MPF em São Paulo. Foto: PRSP

As investigações da Operação Águas Claras apuram o destino de cerca de R$ 40 milhões repassados à Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, que não teriam sido ‘devidamente’ aplicados nos esportes aquáticos. Na lista das fraudes na mira da Procuradoria da República e da Policia Federal, estão licitações para aquisição de equipamentos de natação no valor aproximado de R$ 1,5 milhão. Segundo o Ministério Público Federal, há indícios de que a empresa vencedora seja apenas de fachada, pois em seu endereço na capital paulista há uma Pet Shop.

Três investigados foram presos e um está foragido. Quatro empresários que participaram de licitações com indícios de irregularidades foram conduzidos coercitivamente a unidades da PF em São Paulo e no Rio de Janeiro. Outros 16 mandados de busca e apreensão também foram cumpridos. Todas as medidas foram expedidas pela 3ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

[veja_tambem]A Águas Claras, que prendeu o presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Coaracy Nunes, nesta quinta-feira, 6, investiga também a suposta apropriação por parte dos dirigentes da entidade de premiação de US$ 50 mil que deveriam ter sido repassados a atletas.

A ação apura se uma agência de turismo vendeu passagens aéreas e hospedagens para os atletas com preços superfaturados. Segundo o Ministério Público Federal, as contratações irregulares eram feitas com verbas federais obtidas através de convênios com o Ministério dos Esportes.

Além disso, estima-se que cerca de R$ 5 milhões, provenientes do Ministério dos Esportes, deixaram de ser aplicados na modalidade polo aquático. Em nota, a Ptocuradoria da República afirma que embora a CBDA tenha recebido esta verba federal para aplicação nos torneios nacionais e internacionais, seus dirigentes não autorizaram a ida da seleção de Polo Aquático Júnior, campeã sul-americana e panamericana, para o Mundial do Cazaquistão, sob o argumento da falta de recursos financeiros.

Na esfera cível, o Ministério Público Federal já ofereceu duas ações de improbidade administrativa contra o presidente da Confederação, Coaracy Gentil Monteiro Nunes Filho, outros dirigentes e empresários pelas fraudes em licitações para a aquisição de itens esportivos. A Operação Águas Claras está sendo conduzida pela Polícia Federal e pelos Procuradores da República do Núcleo de Combate à Corrupção em São Paulo Thaméa Danelon, José Roberto Pimenta Oliveira e Anamara Osório Silva, com a participação da Controladoria-Geral da União.

COM A PALAVRA, A CONFEDERAÇÃO DE DESPORTOS AQUÁTICOS

A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos-CBDA segue com suas atividades esportivas programadas para o período. Enquanto a presidência da entidade se encontra vaga, a 25ª vara civil do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro nomeou o advogado e contador, Dr. Gustavo Licks, como administrador provisório. Desta forma, vimos informar à comunidade dos esportes geridos pela CBDA – natação, polo aquático, nado sincronizado, saltos ornamentais e maratonas aquáticas – que as ações imediatas programadas em seu calendário não serão interrompidas.

O principal evento do mês, o Campeonato Sul-Americano Juvenil/Junior, a ser realizado na Colômbia, envolvendo todas as modalidades aquáticas, está confirmado e com todos os procedimentos sendo tomados para este fim. O corpo técnico e administrativo da entidade esteve reunido durante o dia de hoje, 6/04, com o administrador para traçar uma rotina de trabalho que garanta o funcionamento da Confederação.

A administração da CBDA forneceu todas as informações e documentos solicitados pelas autoridades policiais e aguarda mais instruções do departamento jurídico.

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