AGU defende lei que autoriza procuradores e delegados a acessar dados telefônicos

AGU defende lei que autoriza procuradores e delegados a acessar dados telefônicos

Em manifestação ao Supremo, Advocacia-Geral da União rebate argumentos das operadoras em ADI e destaca que dispositivo 'não permite quebra de sigilo de informações protegidas pela Constituição'

Fernanda Yoneya e Fausto Macedo

19 de abril de 2017 | 04h50

Sede da AGU. Foto: AGU

Sede da Advocacia-Geral da União (AGU). Foto: AGU

A Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou ao Supremo Tribunal Federal manifestação em defesa da Lei nº 13.344/2016 que permite a procuradores e promotores e também a delegados de polícia acessar dados cadastrais telefônicos e de localização, sem autorização judicial e em um prazo de 24 horas, em caso de suspeita de crimes graves, como o de tráfico de pessoas.

As informações foram divulgadas no site da AGU no último dia 11.

No STF, o caso está sob relatoria do ministro Edson Fachin.

A norma foi questionada pela Associação Nacional das Operadoras Celulares (Acel) em Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 5642.

A entidade alegou que o dispositivo afrontaria a privacidade e o sigilo de informações previstos no artigo 5.º da Constituição Federal, já que daria acesso irrestrito a quaisquer dados e informações pertinentes à apuração de ilícitos penais, independentemente de autorização judicial. Pediu ainda que o prazo de 24 horas estabelecido fosse alterado para 72 horas.

Na manifestação, a AGU esclareceu que o dispositivo não permite quebra de sigilo de informações protegidas pela Constituição, conforme alegado pelas operadoras, mas apenas acesso a dados cadastrais e de localização. Nos casos de quebra de sigilo, continua sendo necessária autorização judicial.

“Observa-se, pois, que o acolhimento da pretensão da requerente implicaria a modificação da sistemática instituída pela norma impugnada mediante a definição de regra não editada pelo legislador federal. Essa Suprema Corte já decidiu pela impossibilidade jurídica de pleitos dessa natureza”, diz o texto.

Ainda segundo a manifestação, o acesso às informações só é permitido em caso de crimes de alta periculosidade, como investigação de trabalho análogo à escravo, sequestro, extorsão, restrição de liberdade, sequestro internacional de crianças e tráfico de pessoas.

Sobre a segurança dos dados, a Advocacia-Geral lembrou que a mesma norma prevê a obrigação do Ministério Público e da polícia de manter os mesmos dados privados fora do alcance de terceiros e de utilizá-los exclusivamente para desempenho de suas competências de investigação criminal.

Função de legislador. A AGU alerta que o pedido da entidade de estabelecer um prazo diverso da legislação para a concessão de dados coloca o STF na função de legislador, situação que extrapola as competências do judiciário de controle concentrado de constitucionalidade.

“O acolhimento da pretensão da requerente implicaria a modificação da sistemática instituída pela norma impugnada mediante a definição de regra não editada pelo legislador federal. Essa Suprema Corte já decidiu pela impossibilidade jurídica de pleitos dessa natureza”, diz a manifestação.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: