Agripino não vai para a Câmara, genro do Silvio Santos continua lá

Agripino não vai para a Câmara, genro do Silvio Santos continua lá

Urnas reservaram situações e destinos opostos a políticos do Rio Grande do Norte

Julia Affonso

09 Outubro 2018 | 16h56

O senador José Agripino Maia é presidente nacional do DEM. Foto: Beto Barata/Estadão

As urnas reservaram situações e destinos opostos a dois políticos do Rio Grande do Norte, o senador José Agripino (DEM) e o deputado Fabio Faria (PSD). Agripino, velho cacique de sua legenda, tinha planos para ficar na Câmara pelos próximos quatro anos, mas foi derrotado no pleito de domingo, 7, e fica sem foro privilegiado já a partir de 1.º de janeiro. Fabio Faria, genro do animador Silvio Santos, reelegeu-se.

Faria, casado com a apresentadora Patrícia Abravanel, filha do dono do SBT, conquistou 70.350 votos, ou 4,37%. O deputado passou raspando e pegou a última vaga do seu Estado.

Fabio Faria. Foto: BRUNNO ANTUNES/ELEVEN

Agripino, por sua vez, recebeu 64.678 votos ou 4,02%. Seu filho, o deputado Felipe Maia (DEM), havia deixado de concorrer à reeleição para dar lugar ao pai. Com a derrota, pai e filho se despedem do abrigo do foro privilegiado dentro de pouco mais de dois meses.

Réu em duas ações no Supremo, Agripino é acusado, em uma delas, por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e uso de documento falso. O senador foi denunciado por supostas propinas de R$ 1,15 milhão para assegurar um contrato de inspeção veicular ambiental celebrado entre um consórcio e o Estado do Rio Grande do Norte.

No outro processo, a Procuradoria-Geral da República atribuiu ao senador corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A investigação foi aberta em 2015 para apurar se o senador havia recebido propina da construtora OAS em troca de auxílio político à empresa – , para facilitar a liberação de recursos de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) direcionados à construção da Arena das Dunas, para a Copa do Mundo de 2014.

A denúncia afirma que Agripino influenciou a mudança de parecer do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte, que não havia aceitado, num primeiro momento, a documentação enviada pela OAS sobre a construção da Arena.

O impasse travou inicialmente o repasse de recursos do BNDES à empreiteira. Pela atuação no caso, o senador teria recebido dinheiro em espécie e doação eleitoral da construtora.