Agentes federais dizem que compartilhamento com Aeronáutica confirma ‘desuso’ de Veículos Aéreos Não Tripulados

Agentes federais dizem que compartilhamento com Aeronáutica confirma ‘desuso’ de Veículos Aéreos Não Tripulados

Corporação afirma que acordo entre o Ministério da Justiça e Segurança e a Força Aérea ‘visa operação conjunta e otimização de recursos’

Luiz Vassallo

14 de janeiro de 2019 | 18h04

Veículo Aéreo Não Tripulado (VANT). Foto: PF/Divulgação

O Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Força Aérea Brasileira firmaram um Termo de Cessão de Uso dos Veículos Aéreos Não Tripulados (Vants) da Polícia Federal para a Aeronáutica. Segundo extrato publicado no Diário Oficial da União da terça, 8, o objetivo é estabelecer operação conjunta do ‘Sistema de Aeronaves Remotamente Pilotadas (SARP) Heron I, cujo interesse dos órgãos é mútuo’. A Federação Nacional dos Policiais Federais criticou a medida e afirma que os veículos caíram em desuso. O termo tem vigência até dezembro de 2019 e pode ser prorrogado.

Os Vants já foram a ‘menina dos olhos’ da Polícia Federal, um projeto muito valorizado na corporação. Quando instalado o sistema, em 2010, governo Lula, era intensa a propaganda sobre sua eficácia no combate ao crime, especialmente nas regiões de fronteira.

Documento

A PF afirmou, por meio de nota, que o termo oficializa um acordo de cooperação com a Força Aérea Brasileira, ‘que visa a operação conjunta de todos os Veículos, com a otimização dos recursos e do custeio dessa ferramenta e a franca economia de recursos públicos’.

“Tal acordo atende plenamente as necessidades operacionais da Polícia Federal. Ressalte-se que a PF e a FAB mantêm sistematicamente projetos e ações de cooperação e de atuação coordenadas, no cumprimento de suas respectivas atribuições constitucionais”, diz a PF.

A Federação Nacional dos Policiais Federais, no entanto, afirma que o termo ‘gerou preocupação entre investigadores’. “A divulgação do convênio foi modesta, se comparada à ênfase que o governo brasileiro deu à ocasião do investimento – R$ 150 milhões, até hoje – e às cobranças feitas pelos próprios agentes em relação ao uso da aeronave”.

A Fenapef afirma que a ‘promessa do governo federal era de que o equipamento fosse um grande aliado da Polícia Federal no combate ao crime organizado’.

“Dotados de câmeras capazes de, sob praticamente qualquer condição de luz, tirar fotos e filmar, os Vants seriam utilizados, por exemplo, para apontar a rota do tráfico e identificar criminosos sem colocar em risco à vida dos policiais.

Eram previstos, ainda, o apoio e a integração com as Forças Armadas, a Receita Federal, a Polícia Rodoviária Federal, o Ibama e até a Funai”.

No entanto, os agentes afirmam que ‘contrariando as expectativas, o último voo do Vant foi em 2016’. “Hoje, está parado e parcialmente desmontados em São Miguel do Iguaçu (PR), para a frustração dos investigadores do Órgão, que não contam com muitas outras tecnologias de apoio à atividade de inteligência. Para eles, ‘o fracasso das aeronaves é responsabilidade da falta de gestão da Polícia Federal’.

“Temos uma tecnologia de ponta, policiais que se capacitaram, projetando trabalharem com os Vants, e o projeto está parado. Isso deve precisa ser apurado pelos tribunais de controle”, afirma a presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Paraná, Bibiana Orsi.

Orsi diz que a compra e a utilização dos Vants foi discutida pelo Congresso e havia previsão orçamentária suficiente para execução do projeto.

“Não houve interesse da gestão. Com a desculpa de adequar o uso dos Vants, o Departamento de Polícia Federal entregou o equipamento para a aeronáutica. Uma estratégia que não beneficiaria os órgãos de segurança publica, mas poderia encobrir a participação da PF e da Aeronautica no insucesso da tecnologia”, declarou.

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